Somos a Associação de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento Humano - Outro Olhar, fundada em 2008, a partir da ideologia e determinação de diversos profissionais de várias áreas do conhecimento com vasta experiência em projetos ligados ao terceiro setor.

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terça-feira, 16 de abril de 2013

Conversando sobre artesanato

Tekoha Añetete é uma das poucas aldeias que ainda produz artesanato em cerâmica, pensando em manter viva está prática, o grupo Solidário realizou no dia 11 de abril de 2013, uma conversa sobre o artesanato tradicional guarani, com o objetivo de fazer uma reflexão sobre a representação do artesanato guarani na atualidade. Entre os apontamentos destacamos a fala de uma das participantes: “Hoje o artesanato é feito para vender, antigamente os objetos eram utilizados somente como utensílios de casa.” Lembraram ainda, que o artesanato representa as características dos povos Guaranis, que utilizam este artesanato em suas cerimônias sagradas;
Quando o artesanato é produzido para ser utilizado nas cerimônias é feito com um sentimento diferenciado e com os segredos guaranis, permanecendo na Opy - Casa de Reza. Estes segredos, ressaltaram, estão sendo repassados aos mais jovens no tempo certo, para que as raízes do povo não sejam esquecidas.
Destacaram ainda que a maior parte do artesanato da aldeia é produzida pelas mulheres, que algumas vezes saem vender e participam de feiras e eventos na região.
A comunidade vem retomando a produção de peças em cerâmicas, sendo assim, algumas imagens em cerâmicas, feitas por outras aldeias e imagens de peças encontradas em sítios arqueológicos foram mostradas. Como por exemplo, algumas peças em cerâmica corrugada que na tradução Ava Guarani são chamadas de Japepo, no Mbyá Guarani é Oja, isso porque são feitas somente a mão, sendo uma peça mais rústica, com aspecto enrugado. O grupo, ainda explicou a respeito dos grafismos, desenhos utilizados nas peças, sendo que alguns tem significado especial, são feitos com o objetivo de obter proteção do Nhanderu- Deus, principalmente nas peças utilizadas durante as cerimônias na Opy. Algumas particularidades sobre as tinturas utilizadas nas cerâmicas foram citadas, por exemplo: o ingá, onde de suas folhas é extraído à coloração azul escuro; do urucum, a tonalidade vermelho; da casca da cebola com pregos, a tonalidade amarela.
Para encerar a atividade fizemos algumas imagens das peças em cerâmicas produzidas na aldeia.

Por Silmara Apª Walendorff
Outro Olhar

terça-feira, 26 de março de 2013

Jovens Solidários – Vivências Culturais

Nos últimos dias a Outro Olhar e algumas comunidades indígenas receberam a visita de dois jovens italianos, do programa de voluntariado, Jovens Solidários, possibilitado através da Associação Shishu, com sede em Rovereto-Itália, os jovens Fabio e Davide, são respectivamente estudantes de ciências agrárias e de ciências políticas.
Nos quinze dias que estiveram conosco, puderam participar de atividades desenvolvidas nas aldeias de Limeira, Pinhalzinho, Palmeirinha do Iguaçu, Tapixi-Lebre.Tiveram a oportunidade de acompanhar o curso Formando em Rede e o Encontro da Rede Solidária Popyguá, podendo assim conhecer lideranças e jovens de outras aldeias da Rede. Participaram ativamente das atividades relacionadas aos projetos Tekoha Sustentável e  Ambiente Inteiro, realizando desde apresentações de sua cultura e vivências, durante o encontro da Rede e para os  alunos da escola da aldeia Tapixi, até atividades práticas, como: preparo da área a ser reflorestada, adubação e preparo da área para a horta de medicinais, acompanhamento das atividades dos grupos artísticos e dos grupos solidários.
Realizaram ainda atividade de plantio de espécies nativas no sistema agroflorestal que está sendo implantado junto ao Itakora e ajudaram na organização e realização de uma pequena feira de artesanato Guarani na Faculdade Guarapuava.

Sem dúvida foram bons momentos de vivências, aproximação entre culturas e troca de experiências, tanto para quem veio, quanto para nós e para as comunidades que receberam com carinho os dois jovens.

Para finalizar o intercâmbio realizamos um passeio ao salto São Francisco, para mostrar aos dois um pouco das belezas naturais do Brasil e especificamente do município de Guarapuava-PR.

Nós da Outro Olhar, agradecemos aos jovens e as comunidades pelas contribuições e reciprocidade!
Por equipe Outro Olhar

sexta-feira, 1 de março de 2013

Atividades Grupo de Trabalho Solidário Aldeia Pinhalzinho

Traçando um panorama das atividades do grupo solidário da Aldeia Pinhalzinho- Terra Indígena Xapecó, podemos enumerar as seguintes atividades desenvolvidas a partir do ano de 2009: participação em curso de formação para a capacitação sobre a temática que abordou métodos para serem trabalhados os problemas de alcoolismo, possibilitado através do projeto de Sensibilização à Abordagem Ecológica-Social dos Problemas Ligados ao Álcool e Complexos -Método Hudolin.
Anterior e posterior ao curso de formação aconteceram visitas na aldeia de Pinhalzinho onde foi organizado um grupo de famílias, com cerca de 10 famílias, que se encontravam semanalmente para abordarem temáticas ligadas ao alcoolismo e temas do cotidiano. A partir destes encontros foram surgindo novas idéias e demandas da comunidade, estas idéias que resultaram no projeto Gerando Melhoria de Qualidade de Vida,  entre as atividades do projeto, estavam: a continuidade das reuniões do grupo, agora com a coordenação local, oficinas de teatro, implementação de um pomar comunitário e seminário final. 
O projeto foi realizado no período de maio de 2010 a setembro de 2011, todas estas atividades foram realizadas com o apoio da Outro Olhar, em parceria com a Shishu, com a FUNAI- Regional de Chapecó e Prefeitura Municipal de Ipuaçu- SC. Além dessas atividades, integrantes do grupo participaram de etapa de formação onde foram capacitados com a metodologia IFC- Individuo, Família e comunidade - Uma Abordagem Solidária, realizado em 2010, no município de Guarapuava-PR.
Com as oficinas de teatro, os jovens do Grupo Reencenando construíram uma peça sob o título “Sombras e Sonhos”, abordando temas ligados ao alcoolismo, amizades, conflitos familiares, esta foi apresentada na comunidade durante o seminário de encerramento do projeto realizado em setembro de 2011, o grupo ainda realizou apresentações na aldeia Sede neste mesmo ano e no município de Guarapuava em março de 2012, quando da realização da I Mostra de Cultura e Arte Guarani.
Com o encerramento do projeto as reuniões do grupo de trabalho solidário passaram a ser realizadas esporadicamente, neste período algumas palestras foram organizadas pela FUNAI com temáticas relacionadas ao alcoolismo.
Durante o ano de 2012 o grupo passou por um processo de amadurecimento, em que fez uma reavaliação das atividades, dos objetivos e da motivação em continuar. Em janeiro de 2013, o grupo estava revitalizado e com entusiasmo para com o “pomar” e para retomar a freqüência das reuniões. Na ocasião foi realizada a primeira reunião do ano na casa da Dona Maria Eva, que disse estar muito contente com o acompanhamento e retomada das atividades junto ao grupo. Na sequência  o grupo foi para uma atividade prática, uma poda de limpeza no pomar em sistema agroflorestal. Está atividade foi apoiada pelo Técnico em agroecologia da Outro Olhar, com grande empenho e participação de todos.
Com destaque para os integrantes Lidia e Germano, que dominaram a técnica da poda e aplicação de calda, para evitar a disseminação de pragas nas plantas.
O Pomar em sistema agroflorestal do grupo pode ser considerado um exemplo pela diversidade de plantas que estão sendo cultivadas. Consorciado entre as frutíferas estão sendo plantadas: milho, feijão, mandioca, batata doce, amendoim, entre outros.
Como planejamento o grupo irá continuar com a realização de oficinas com temáticas diversas desde, motivacionais, autoestima, mediação de conflitos e trabalho em grupo, cultura, empreendedorismo, além da abordagem de temas relacionados à prevenção ao uso de álcool e drogas, tendo o apoio da Outro Olhar.
Por Silmara Walendorff
Outro Olhar

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Grupo Kuaray Porã 'Sol Nascer'

A aldeia Limeira localizada no município de Entre Rios em Santa Catarina merece nossa atenção pela grande retomada cultural que vem acontecendo desde 2012. Primeiro foram as atividades do grupo de teatro Mbyá Encenando, que aliás agora está criando sua segunda peça; que a partir da discussão sobre o 'modo de ser Guarani' fez uma excelente peça de teatro que uniu a discussão da temática com o registro de uma das principais cerimônias, a do batismo. Depois a construção da Opy 'casa de reza', que há muito não tinha na comunidade.
No final do ano passado para nossa alegria, quando estivemos realizando as atividades a comunidade nos surpreendeu com o grupo de canto que é coordenado pela sra Deolinda e o sr Nelson Benites e tem participando 12 crianças, adolescentes e jovens de 05 a 30 ano. "Lá por outubro de 2012 começamos o grupo para não perder a tradição" disse Deolinda.
O grupo fez lindas apresentações de cantos e danças, entre elas o xondaro. Como se não bastasse, ao final da atividade nos emocionou muito quando, antes do nosso regresso, nos convidou a escutar um canto que 'como vocês andam muito nas estradas por ai, é para terem um tape porã, ou seja, um bom caminho', nos resta dizer novamente nosso obrigado e desejar que sigam determinados desta bonita jornada que tomaram para si, reconstruir o 'modo de ser guarani em Limeira'.
Tape Porã pra todos!


Equipe Outro Olhar. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Oficina de Sabores


Uma pessoa famosa, de quem não lembro o nome, falou assim: “A gente é o que a gente come”... Se isso é verdade, na noite do dia 12 de dezembro no Centro de Formaçao Juan Diego, a mescla de comidas e sabores juntou culturas e indivíduos.
A “oficina de sabores” foi uma das atividades de Formando em Rede, formação elaborada para um grupo de 24 jovens (meninos e meninas) guaranis, que, durante as várias etapas, se aproximam dos instrumentos da investigação social, aprendendo e fazendo experiências de metodologias de análise, tornando-se atores sociais que definem e concretizam um projeto para o futuro da comunidade a qual pertencem.
Os participantes provêm das aldeias que a Outro Olhar realiza suas atividades, são elas: Añetete, Koe Jú Porã, Kuaray Guatá Porã, Tekoha Ocoy, Pindoty - Palmeirinha do Iguaçu, Rio D’Areia, Tapixi-Lebre no estado do Paraná e Aldeia Limeira no estado de Santa Catarina.
Na preparação da oficina, Eu (Federica) e Paul achamos que a reflexão sobre a cultura da comida e os modos tradicionais de preparo poderia ser, para os participantes, um meio de trabalharmos sobre a questão cultural e a consciência da própria identidade. O que pode parecer estranho é que os meninos e as meninas começaram cozinhando comidas da Italia e da França. Mas na verdade, com a consciência de quem eu sou adquire-se através do conhecimento de quem o outro é, assim a ação de compartilhar as comidas foi um passo para a construção de um intercâmbio e de uma relação entre pessoas. Então, o encontro entre comidas foi um encontro entre indivíduos diferentes, mas curiosos pra se conhecer melhor e tirar enriquecimento a partir dos demais.
Depois de uma breve introdução sobre as receitas e a atuação da oficina, eu e Paul começamos a dividir e organizar os grupos de trabalho. Os meninos preferiram cozinhar a pizza, a maioria das meninas o doce de chocolate.
O “grupo pizza” começou a atividade preparando a massa (que demora 3 horas para fermentar) e depois os ingredientes do recheio das pizzas: legumes, queijos (mussarela, provolone e gorgonzola, que contém pequenos fungos, e que no começo assustou bastante os participantes, mas depois eles experimentaram e descobriram que é muito bom!), presunto, rúcula, atum, azeitonas, linguiça, etc.
As fotos mostram que os meninos estenderam a massa… como verdadeiros pizzaioli! A massa foi colocada nos tabuleiros e recheada primeiro com molho de tomate. A grande variedade de ingredientes para escolher estimulou sua criatividade e fez surgir muitas combinações diferentes, imaginativas, fantasiosas, talvez estranhas e divertidas!!
As meninas preparam o mousse de chocolate, com a ajuda de Paul, Sandra, Silmara, Maria Lucia! Primeiro, elas fundiram o chocolate (cortado em pequenos pedaços) em banho maria. A seguir elas dividiram as gemas dos ovos (misturadas com açúcar) e as claras (bateram com uma batedeira). Depois, a nata também foi batida e a manteiga misturada com o chocolate. No final, todos os ingredientes foram juntados, mesclando suavemente. Depois foi colocado na geladeira durante algumas horas e depois comemos com bolachas.
As meninas foram curiosas pra aprender cozinhar algo novo; elas também cozinharam duas comidas guaranis e explicaram as receitas.
Os participantes se divertiram muito, a atividade foi apreciada porque envolveu de modo prático, “com as mãos”, levando-os a interagir e trabalhar juntos pelo preparo do produto final, mas também os estimulou a perguntar sobre como avançar e sugerir novos ingredientes e experimentar.
Talvez não muitas pessoas imaginam que vários ingrediente a gente usou... e que hoje em dia são ingredientes importantes em famosas receitas (italianas e francesas também), chegaram na Europa viajando nos navios dos exploradores que estiveram na América do Sul. Feijão, batata, abóbora, milho, pimentão, tomate e chocolate!
Refletir sobre isso é importante para entender o seguinte: intercâmbios e encontros entre mundos diferentes podem criar enriquecimento também na cozinha!
Ainda hoje, os alimentos viajam, assim como as pessoas. Os meninos e as meninas guaranis gostam do macarrão (pasta) e para muitos deles è a comida favorita; eu, Federica e Paul chegamos ao Brasil, onde começamos experimentar feijoada, churrasco, farofa, pastel… e o que mais?
Agora resta apenas dizer: vamos comer!
Por: Federica Feola - SVE- Serviço de Voluntariado Europeu/Joint

Atividades Artísticas


Os Guaranis das aldeias que fazem parte do projeto Formando em Rede gostam de ARTE... Podemos olhar com facilidade o modo de se expressarem no meio artístico, que é incluído na sua cultura.
A ideia de mesclar uma arte nova, o grafite, com novos objetos como o spray e símbolos tradicionais da cultura indígena Guarani, foi bem produtiva, e os jovens gostaram muito de poder mostrar e expressar sua arte com um novo modo de pintar. A oficina de arte mesclou a arte contemporânea com os traços da cultura Guarani.

Por: Paul Speisser - Serviço Voluntário Europeu – SVE/Joint

Curso Formando em Rede Módulo III


Os jovens do curso Formando em Rede reuniram-se para a realização do terceiro módulo do curso que aconteceu de 10 a 14 de novembro de 2012 junto ao Centro de Formação Juan Diego.
 As principais atividades realizadas foram a apresentação e sistematização dos diagnóstico social e ambiental, produzidos pelos próprios jovens, com dados coletados em suas comunidades.
Foram momentos de construção e debate, onde dados valiosos que serão utilizadas na elaboração de propostas de desenvolvimento puderam ser mensurados e transformados em informação que embasarão materiais e pesquisas futuras, sendo uma memória da real situação das comunidades Guaranis da Rede Solidária Popyguá.
Ainda receberam subsídios sobre a elaboração de projetos e desenvolvimento de propostas para a melhoria das condições de suas comunidades e familiares. Nesse módulo os jovens contaram com a colaboração de Ananias Jexaka Veríssimo que é professor indígena e cacique da aldeia Lebre, Ananias falou sobre a sua experiência na gestão da comunidade e reforçou a importância dos jovens na participação em cursos como este e na atuação junto as suas comunidades.
Enfatizou a preocupação com o fortalecimento da cultura, reforçando o quão valioso é manter a língua materna, as cerimônias e costumes de cada povo, aliado a isto destacou a importância de termos materiais escritos, pesquisas, livros e trabalhos acadêmicos sobre a cultura e também sobre a real situação que os povos guaranis se encontram.
Também neste módulo os jovens tiveram momentos de trocas culturais que enriqueceram várias culturas, num primeiro momento expressaram através da pintura em grafite, traços da cultura guarani, a atividade foi organizada pelos voluntários do SVE – Serviço de Voluntariado Europeu, Paul e Federica.
Num segundo momento, através dos alimentos, foram confeccionados alguns dos pratos típicos da cultura guarani como: o beiju, reviro e xipá, que foram preparados pelas jovens guaranis. A oficina de sabores foi organizada pelos voluntários Paul e Federica, do Serviço de Voluntariado Europeu- SVE, que também mesclaram pratos típicos de seus países: pizzas e mousse e todos se divertiram criando e experimentando novos sabores.
Sem dúvida foram momentos muito agradáveis e de muita troca de informação e conhecimentos construídos e repassados e que servirão como base para o próximo módulo do Formando em Rede.
A primeira fase do Formando em Rede será finalizada em março de 2013 com a apresentação das propostas de desenvolvimento e elaboração de apostila contendo as informações e materiais produzidos no decorrer do curso.
Por: Silmara Aparecida Waledorff - Equipe Outro Olhar