Somos a Associação de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento Humano - Outro Olhar, fundada em 2008, a partir da ideologia e determinação de diversos profissionais de várias áreas do conhecimento com vasta experiência em projetos ligados ao terceiro setor.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Olhar com os Olhos, sentir com o Coração e Pensar com a Razão

Uma das coisas mais importantes para quem quer ou se dispõe a conhecer, descobrir, viver coisas novas ou culturas diferentes é despir-se de 'pré conceitos', abrir os olhos e o coração, liberar todos os sentidos para a experiência.
Imagino que tenha sido essa a motivação da professora Fernanda Ikulta do Campus da Unicentro de Irati quando desafiou a turma de Geografia a fazer uma vivência com a comunidade quilombola e com a comunidade guarani.
O dia com a comunidade guarani começou cedo, uma viagem de um pouco mais de uma hora, de Guarapuava até a aldeia de Palmeirinha do Iguaçu, onde o grupo do Tembiapo e as lideranças esperavam o grupo, com curiosidade e expectativa, talvez recíproco por parte dos jovens que estavam na viagem.
Perguntando daqui e dali muitas coisas foram reveladas sobre o modo de ser guarani, entre as primeiras, o significado das pinturas decorativas na escola, que fazem menção aos quatro deuses principais enquanto rosa dos ventos.
Depois da escola, uma pequena caminhada subindo o morro e chegando ao Piai, para encontrar a loja de artesanato do Tembiapo da Palmeirinha do Iguaçu. As artesãs ainda um pouco tímidas, mas orgulhosas em poder expor e comercializar suas lindas peças de artesanato com traços tradicionais e também modernos, redesenhando peças de decoração e biojoias. Encantando os olhos dos visitantes.
A parada seguinte foi na Opy'i, traduzida como 'casa de reza', o lugar mais sagrado e importante da aldeia, lá esperavam os visitantes um almoço tradicional preparado com todo carinho para aprofundar o relacionamento entre 'estudantes jiruas' e o modo de vida guarani. No cardápio: canjica com carne de porco (já que a caça não é mais abundante), xarope de mel e mbojape.
Enquanto as xaris e as xondarias (senhoras e moças) terminavam de preparar o alimento, as lideranças da comunidade puxaram uma conversa com os estudantes e com a professora sobre os interesses, responsabilidades que a profissão traz, aflorando um pouco da angustia da comunidade que espera deixar de ser invisível, como hoje é para muitas pessoas e profissionais.
Enfim o almoço, particular e saboroso!
 Para agradecer e mostrar um pouco do que mantém o modo de vida guarani até hoje, as cerimônias e a vivência na opy'i, o grupo cultural, formado principalmente por crianças, adolescentes e jovens, sob a coordenação do sr. João Ribeiro, apresentou cantos e danças, começando por uma de boas vindas e um convite para compartilhar e participar da vida local, passando pelo agradecimento ao grande Nhanderu pela vida e pela experiência.
Despedidas ao sair da opy'i, gostinho de quero mais; aos fortes e resistentes, mais uma pequena caminhada, acompanhados pela jovem Suzana de Quadros até sua casa para conhecer o plantio de plantas medicinais e também a agrofloresta.




A volta ao ônibus, a viagem de retorno. Experiências vividas, algumas mais profundas que certamente influenciarão as escolhas de futuros profissionais, outras talvez mais superficiais que serão esquecidas.
A cada dia construímos nossa história!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Feira "Inspira-Luz" em Curitiba, 13-14 Dezembro 2014.



Nos dias 13 e 14 de dezembro o Edenilson e eu fomos para Curitiba para participar da feira “Inspira-Luz”, no Centro de Criatividade do parque São Lourenço. Fomos de ônibus e transportamos um monte de artesanato guarani: brincos, cestarias, colares, arcos e flechas, bichinhos, chocalhos... Estávamos cheios de caixas e de medo: não sabíamos para onde começar para transferir tudo no Hotel e depois na feira. Tiveram alguns momentos de tensão pela responsabilidade, felizmente a gente deu muita risada e, no final, deu tudo certo!
No primeiro dia, sábado 13, chegamos no Centro de Criatividade e encontramos os organizadores da feira que nos ajudaram fornecendo o espaço, uma mesa para expor os artigos artesanais e duas cadeiras onde sentar. A superfície era muito apertada, mas foi o suficiente para colocar os objetos em maneira legal! As vendas foram bastante boas, mas o melhor de tudo era o ambiente. De fato, era cheios de vendedores que criavam, com as próprias mãos, diferentes coisas: lindas saias de patchwork, várias joias, óleos essenciais, vestidos, gostosos sanduiches naturais... Todas as pessoas foram muito amigáveis e gentis conosco, além de ser curiosos de verdade sobre as atividades da Outro Olhar e sobre a cultura guarani. Muitos já visitaram uma aldeia ou tiveram contato com alguns rituais, como por exemplo, a reza com o cachimbo.
Edenilson teve a possibilidade de explicar melhor alguns aspectos da cultura conversando com pessoas diferentes, que eram cheios de perguntas e realmente interessadas em escutar. Nós adoramos ouvir a música que teve quase toda a hora e, de vez em quando, passear para visitar os outros artesãos para bater um papo, comer um doce ou receber uma massagem para alinhar os chacras com os cristais.
Em particular, o espaço era cheio de pessoas que trocaram conosco experiências diferentes, e em algum casos, incríveis... Por exemplo, conhecemos uma moça, Myria, que ficou no nosso coração porque fugiu da guerra na Síria com a sua família. Na feira ela vendia alguns vestidos e algumas joias, mas o seu talento maior é o talento musical. De fato, além de poder escutar a sua comovente experiência de vida, tivemos a sorte de poder ouvir um concerto de música siriana que ela, seu irmão e sua cunhada fizeram tocando instrumentos típicos. Emocionante. Obrigada por ter compartilhado estes momentos tão intensos.
Queremos agradecer a Renata que nos deu o contato para participar à feira e que alegrou o cansaço da feira com os seus saborosíssimos bolinhos de amendoim. Obrigada também à Malka, a amiga que costura saias maravilhosas e com quem, no sábado, fomos passear pelo centro de Curitiba! Nunca vamos esquecer os prédios bonitos e o inesperado e divertido banho de chuva que nos surpreendeu...
Lembraremos de todos vocês com muito carinho!
            

Gloria Bayma e Edenilson

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Visita ao Paiol de Telha

“Existiu

Um eldorado negro no Brasil

Existiu
Viveu, lutou, tombou, morreu, de novo ressurgiu
Ressurgiu
Pavão de tantas cores, carnaval do sonho meu
Renasceu
Quilombo, agora, sim, você e eu”

‘Quilombo’, de Gilberto Gil

“Meu Deus, mas quanto está demorando este ônibus?” – pensei- “Tinha que chegar às 7.40 e já são 9 horas da manhã, podia ter dormido uma hora mais... A prof. Fernanda não atende ao telefone... será que se esqueceram de mim?”. Assim começou a minha aventura: depois de alguns minutos o ônibus com a Turma de Geografia de Irati chegou, me carregou e partiu em direção de um quilombo do Paraná, chamado ‘Paiol de Telha’.
Descobri a existência dos quilombos há um mês, então fiquei com muita vontade de visitar uma comunidade. Quando soube que esta turma ia pra la, não queria perder a ocasião de viajar com eles: assim, coloquei de lado o meu cansaço da semana de trabalho e decidi de ir.
Chegamos num lugar imerso na natureza, onde tinham alguns moradores que acolheram-nos com muito carinho e calor. Daí encaminhamo-nos até o espaço comum do quilombo aonde esperavam-nos com cantos, um lanchinho e uma conversa bem interessante sobre como é a vida de todos os dias e sobre a luta pela terra.
De facto, há décadas que os moradores da comunidade sofrem com o processo de espoliação de suas terras, que desde os anos ‘70 foram ocupadas por famílias alemãs e depois pela Cooperativa Agrária Agroindustrial. Depois de um processo jurídico complicado e comprido, os moradores da terra ganharam o direito oficial de ficar onde os bisavós deles nasceram. Os primeiros habitantes eram libertos que herdaram o território em 1860.  Em 2005 o Quilombo Paiol de Telha foi o primeiro reconhecido no Paraná pela Fundação Cultural Palmares e, em outubro deste ano, foi reconhecido pelo presidente do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). O próximo passo será a publicação do decreto presidencial de desapropriação do território. Em seguida, passa-se à fase da retirada de ocupantes não quilombolas e, por fim, ocorre a emissão do título de propriedade coletiva à comunidade.
Fiquei muito surpreendida ao escutar as dificuldades que estas pessoas tiveram para ter a permissão legal de morar no lugar que já pertencia a eles há muitos anos. Paradoxal, né? Felizmente, a luta deu certo e agora espero que os outros quilombos vão ter a esperança de conseguir o objetivo, com na mente o exemplo dos irmãos deles.
Pelo que diz respeito à cultura e às tradições, no quilombo coexistem cultura “negra” e cultura “branca”: alguns fazem rituais religiosos católicos e outros fazem rituais do candomblé (religião africana trazida para o Brasil no período em que os negros desembarcaram para serem escravos). Os orixás, para o candomblé, são os deuses supremos. Possuem personalidade e habilidades distintas, bem como preferências ritualísticas.
À tarde, andamos até algumas lindas cachoeiras e antes de entrar, alguns meninos e meninas do quilombo fizeram um ritual, com batuque e cantos, para pedir licença à água para nós entrar. Achei isso muito interessante, porque muitas vezes consideramos óbvios os recursos da natureza e acabamos por abusar deles como se fossem de nossa propriedade. Na verdade é o contrário: somos nós que pertencemos à Terra e a gente não pode esquecer disso. Depois de vários mergulhos e esguichos de água, voltamos onde estávamos hospedados para jantar e descansar.Mas a noite ainda não tinha acabado: de fato, depois da comida a gente foi num lual bem bacana, com fogo, tochas, incensos, batuque... Dançamos e cantamos juntos, para comemorar os deuses da natureza que acompanham a vida e a luta do Quilombola de todos os dias.

Em suma, a experiência foi muito legal e é parte integrante do conhecimento sobre as populações do Brasil que, infelizmente, têm “invisibilidade social”. Por outro lado, fiquei bem feliz em saber que o caminho em direção do reconhecimento formal vai para frente, apesar de todas as dificuldades e do tempo da burocracia. Espero que, além disso, serão também preservados os modos de vida, os conhecimentos tradicionais e a cultura deste povo. O Brasil é muito rico culturalmente, e não pode perder esta variedade que o caracteriza e que o faz tanto fascinante.
Obrigada Paiol de Telha por esta oportunidade, adorei, e vou levar para a Itália tudo o que aprendi. Espero que, com a informação e a minha experiência direta, vou aproximar a minha família e os meus amigos a esta realidade de luta pelos direitos e cultura que, ainda sobrevive e resiste à opressão da sociedade.
Gloria Bayma – Voluntária SVE


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Construção com Terra e Palha

As opy'i (casas de reza) das comunidades Guaranis são consideradas o coração, ou o motor propulsor da cultura. Dessa forma, se suma importância. A construção tradicional desses espaço, em grande número de comunidades, foi dando lugar a materiais diversos, inclusive telhas de amianto.
Observando essa dicotomia, entre a essência da cultura e o espaço transformado, para não dizer, 'aculturado', a percepção do grande desafio: construir com recursos 'atuais' sem perder a tradição, e ainda com baixo custo. Desafio lançado, a procura pelas alternativas e uma possibilidade: a construção com terra e palha. Muito semelhante com o que as comunidades, que ainda tentam fazer a construção tradicional, praticam. Apenas um 'aperfeiçoamento'.
A técnica de construção com terra e palha, ou COB, como é chamada por alguns, foi 'testada' na comunidade de Nhe'Engatu na ampliação da opy'i. Momento muito agradável com a comunidade que se envolveu, desde os mais pequeninos até os mais velhos, cada um a sua maneira e colaboração.
No vídeo a seguir um pouco do trabalho realizado.

Miri’i, Jata’i, Tapexu’a, Guarykua, Ei Raviju

Plebeia Remota, Jatai, Tubuna, Mandaçaia, Manduri, respectivamente, são algumas das abelhas sem ferrão existentes na nossa região e que foram identificadas durante o curso “Abelhas Nativas e Agrofloresta” realizado para os grupos produtivos de plantas medicinais e agrofloresta, atividade do projeto Nossa Aldeia Nosso Ambiente patrocinado pela @Petrobras.
O meliponicultor Ivalmor Pedro Caragnato com muito conhecimento de causa conduziu a conversa com os participantes do curso de forma dinâmica e identificou as espécies mais conhecidas das abelhas sem ferrão, ou abelhas indígenas, com o nome popular, o nome em guarani e as principais características de cada uma. Assim como a importância desses pequenos animais para a polinização e vida das plantas.

Para a prática, levou para o curso três caixas de abelhas: mandaçaia, plebeia remota e plebeia emerina para que os participantes pudessem observar as particularidades de cada uma observando o ninho como um todo. E ainda a busca na mata por uma família para transferir para uma caixa, momento que agradou muito aos participantes.
Quanto à agrofloresta voltada principalmente às espécies medicinais os participantes puderam reforçar o seu entendimento e o planejamento das suas áreas. Importante constatar que além das espécies medicinais e aromáticas para a produção de óleo, o pessoal demonstrou interesse por espécies da medicina tradicional, assim como, para o cultivo de espécies alimentares e sagradas que andam meio esquecidas das gerações mais novas.
Na questão da gestão do empreendimento do Tembiapo, assunto sempre necessário de abordar, Antônio Carlos Guedes apresentou a versão finalizada da Loja Virtual (www.tembiapo.com.br), enchendo de orgulho os participantes. Além de entrar em assuntos mais direcionados à gestão e monitoramento do empreendimento como: análise das receitas, despesas e planejamento de produção para o verão e outono.

Agradecimento à comunidade de Koe Ju Porã pela acolhida aos participantes, à Escola Arandu Pyahu pelo espaço, à pedagoga Josieli pelo apoio estrutural, e a todas as pessoas que colaboraram para que o curso fosse um sucesso!



domingo, 2 de novembro de 2014

Tembiapo Artesanato Guarani

A loja virtual do empreendimento do Tembiapo www.tembiapo.com.br está na rede, neste endereço você pode adquirir produtos do artesanato tradicional, atual e conhecer um pouco sobre cada peça.
E em breve também a linha de óleos essenciais!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Seleção para programa de voluntariado (02 vagas)


A Outro Olhar oferece duas vagas para jovens interessados em prestar serviço voluntario na Cooperativa de Experimentação Territorial para o Desenvolvimento Sustentável – Buona Terra, localizada em Passignano Sul Trasimeno, na Itália.
O programa cobre os custos com alimentação e hospedagem e até 90% do valor da passagem; sendo que o restante, os 10% da passagem aérea – Brasil/Itália é contrapartida do selecionado a ser paga antes do embarque. Todos os custos de cunho pessoal são de responsabilidade de cada selecionado.
Atividades a serem desempenhadas:
- Tomar conta dos animais como: ovelhas, cabras, vacas, cavalos, galinhas, coelhos e porcos desde a alimentação, ordenha produção de queijo até a limpeza do local; - Ajudar os operadores na manutenção da horta orgânica (preparar o solo, plantio, limpeza colheita, etc.); - Trabalhar com materiais naturais, tais como ajudar a construir casas base de terra e palha e aprender a construir cestos com materiais naturais; - Aprender a cozinhar comida italiana (ajudar o staff a cozinhar para outros grupos) - Ajudar a limpar a casa depois que os grupos partirem.

Requisitos:
- Ter entre 18 e 30 anos;
- Providenciar a documentação solicitada (passaporte e visto);
-Disponibilidade para permanecer no voluntariado por 05 meses, convivendo com pessoas de diferentes nacionalidades e pontos de vista;
- Estar disposto a desempenhar atividades/trabalho pesado e no campo;
- Disponibilidade para dividir espaços e ter uma alimentação à base de vegetais e massas.
- Ter um grande espirito de adaptação;
- Trabalhar com um horário diverso, inclusive durante o fim de semana e ter dias livres durante a semana;
- Estar aberto e interessado a aprender novas formas de vida.

Etapas de seleção:
1ª Etapa: Enviar curriculum, carta de motivação enviar em formato PDF para o e-mail: associacaooutro.olhar@yahoo.com.br com o assunto: Seleção para programa de voluntariado, de: 28/10/14 até o 15/11/14.
2ª Etapa: Pré seleção de currículos e Questionário Informativo, até 18/11/14
3ª Etapa: Participar de uma entrevista com a equipe da Organização de envio (Outro Olhar) a ser realizada no dia 20 de novembro de 2014, a partir das 13:30h.
Local da Entrevista: Sede da Outro Olhar, RB277- Km347 - Estrada do Rocio- S/nº- Bairro Aeroporto, Guarapuava- PR, próximo à capela São Sebastião.

Outras informações com Sandra ou Silmara pelos telefones: 
42 84021235 ou 42 99140989

Guarapuava, PR, 27 de Outubro de 2014.


Sandra Konig

Diretora Presidente