Somos a Associação de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento Humano - Outro Olhar, fundada em 2008, a partir da ideologia e determinação de diversos profissionais de várias áreas do conhecimento com vasta experiência em projetos ligados ao terceiro setor.
A agrofloresta da aldeia de Palmeirinha do Iguaçu foi ampliada em área e número de plantas, aumentando o cultivo de medicinais na agrofloresta e foram feitos vários dias de campo para plantar mudas de árvores nativas e frutíferas exóticas. As atividades pertencem aos projetos Ambiente Inteiro: Terra Indígena da Cabeça aos Pés, apoiado pela IAF e pelo projeto Yy Porã, apoiado pelo GATI, este que encerrou recentemente.
Entre as atividades dos últimos meses a realização da oficina de criação de abelhas nativas sem ferrão. As abelhas e o mel que produzem são conhecidas desde sempre pela comunidade, a novidade está no 'implantar uma criação'. Com as mudanças no território, no clima e nas necessidades atuais, ajudar as abelhas nativas a se reproduzirem e isso em caixas, dessa forma não é preciso 'furar' muitas vezes as árvores para tirar o mel. Além de mais prático, induz a uma produção maior de mel.
Aliar a tradição com a saúde e a preservação do ambiente é coisa louvável, digna de uma comunidade consciente.
A reflexão do título acima remete a uma fala durante o encontro "Territórios e Agroflorestas em Rede" quando se falava de agrofloresta, ou 'tipos' de agroflorestas possíveis. O encontro foi realizado entre os dias 13 e 16 de julho de 2016, no Instituto Federal do Rio Grande do Sul e na Acaso - Associação de Cabos e Soldados de Osório, ambos em Osório-RS.
A Outro Olhar participou da mesa redonda: Territórios na Região Sul do Brasil apresentando a experiência da Rede Solidária Popyguá enquanto gestão social de território Guarani e as agroflorestas nas aldeias enquanto gestão ambiental de território indígena e Nilson Tataendy Karai Florentino e Ramon Paraxavy Vogado participaram do III Nhemboaty Mbya Kuery: teko ojevy angua regua, yy e'ëregua realizado simultaneamente na aldeia Sol Nascente também no município de Osório-RS; compartilharam suas experiências com as agroflorestas e com a organização da Rede Solidária Popyguá.
Ambos os encontros foram muito importantes para compartilhar experiências e crescer em ideias. Entre elas o reforço sobre a percepção da riqueza das agroflorestas guaranis, diversas em espécies nativas com grande potencial para frutas e derivados, caracterizando um 'jeito guarani de fazer agrofloresta'. Outro ponto que merece destaque foi a troca de experiências entre os parentes guarani, que somaram com os parentes do Paraná. Nossos agradecimentos aos organizadores do evento!
Na tarde do dia 11 de julho, estivemos no Colégio Estadual Profª Marli Queiroz, localizada na Cidade Industrial - Curitiba -PR, para a realização de palestra sobre a Questão Indígena com ênfase para a etnia Guarani e feira de artesanato. Numa conversa descontraída trocamos conhecimentos com professores, alunos e pais.
Mostra e Feira de Artesanato
Em seguida os alunos visitaram a mostra e feira de artesanato, muita curiosidade acerca dos materiais utilizados na confecção do artesanato.
Passamos horas agradáveis em companhia de professores e alunos que nos receberam com muito carinho.
Jogando Zarabatana
Como o tempo foi curto e parte dos alunos não conseguiram visitar a feira em 06 e 07 de outubro retornaremos para mais uma atividade, desta vez com a mostra de fotografias "A Boa Comida Guarani", e mais uma edição da feira de artesanato do Tembiapo. Até lá!
Agradecemos a acolhida da equipe multidisciplinar e de todos que se empenharam para a realização do evento!
Pensando em minimizar os impactos ao meio ambiente e proporcionar melhor qualidade de vida aos moradores da aldeia a Outro Olhar, juntamente com participantes do grupo Solidário da Aldeia de Pinhalzinho -TI Xapecó, localizada no município de Ipuaçu - SC, realizaram oficina teórico/prática para a construção de um sistema de tratamento de águas cinzas.
A atividade, que faz parte do projeto Ambiente Inteiro, apoiado pela IAF - Fundação Interamericana, aconteceu na tarde do dia 06 e manhã de 08 de julho, na casa da integrante do grupo, Maria Eva Martins, que reuniu a família para desenvolver a prática, mesmo com muito frio todos participaram e puderam entender melhor como funciona o sistema.
O saneamento ecológico é um meio natural de tratar as
“águas servidas ou águas cinzas” e possibilitar o retorno ao meio ambiente ou
para reuso em atividades como adubação e irrigação.
Águas cinzas são aquelas
originadas em tanques, pias e chuveiros, apresentando contaminantes químicos,
sólidos em suspensão, óleos e graxas.
Os benefícios da reciclagem de
Águas Cinzas inclui: Diminui o uso de água tratada; Menos
transtornos no caso de falha da fossa séptica; Pode ser construída em áreas
inadequadas para o tratamento convencional; Recupera o lençol freático; Ajuda
no crescimento de plantas; Faz uso de nutrientes de outra forma inutilizados; Sua
construção é relativamente simples e com baixo custo, sendo facilmente
replicada.
Finalizando com o plantio de bananeira
Agora fica o desafio para as demais famílias realizarem em suas propriedades este sistema e amenizarem os impactos causados pelo escoamento indevido de águas em seus quintais.
Um resumo pode ser visualizado em: https://www.youtube.com/watch?v=ZM85cMUdDmk
Em breve outras plantas serão cultivados e este local se transformará em um belo jardim
Entre os dias 31 de maio e 03 de
junho de 2016, realizou-se junto ao Centro de Convivência Itakora, o encontro
da Rede Solidária Popyguá apoiado pela IAF- Fundação Interamericana, através do
projeto Ambiente Inteiro: Terra Indígena da Cabeça aos Pés.
A temática principal deste
encontro “Alimentação,
Agricultura e Agrofloresta” trabalhada por Sandra Konig, com o
objetivo de refletir sobre os alimentos tradicionais e saudáveis, a relação
destes com as agroflorestas e o seu potencial, tanto para alimento enquanto para soberania alimentar das comunidades, além da oportunidade de geração de renda.
As reflexões foram a cerca do que está sendo produzido e consumido
nas aldeias na atualidade. Considerações importantes foram levantadas e
questionamentos de o porquê os alimentos tradicionais vem perdendo espaço na ‘mesa’
dos guarani. Muitos disseram que a praticidade dos alimentos prontos e industrializados vem ganhando espaço principalmente entre as novas gerações, pela facilidade no
acesso, muitas vezes por comodidade e pelo assistencialismo praticado por muito
tempo e ainda presente (cestas básicas).
Ao longo dos anos a prática da
monocultura chegou até essas comunidades, com ela o uso de agrotóxicos e outras práticas
danosas ao meio ambiente; desta forma deixaram de produzir seus alimentos
tradicionais. Algumas das comunidades inclusive perderam suas sementes tradicionais, ou já não são mais tão puras como antigamente; dificultando o cultivo.
Durante o evento muitos exemplos
foram trabalhados demostrando que é possível nos alimentarmos de forma mais
saudável e principalmente produzindo grande parte do que consumimos.
Seja pela realização de cultivos
por meio de agroflorestas ou por plantios agroecológicos, sem uso de
agrotóxicos e outras substância que prejudiquem o solo e o meio ambiente como
um todo.
Nos dias do evento assumimos o desafio e foram preparados e consumidos alimentos tradicionais, como a batata doce assada, mandioca assada, reviro,
canjica, abóbora assada e outros alimentos retirados diretamente dos quintais como
é o caso da folha de tansagem refogada.
Entre as reflexões dos
participantes o relato de Celso Alves de Tekoha Ocoy, que disse: “na aldeia as pessoas mais velhas desenvolvem
as suas lavouras e que tentam preservar as sementes tradicionais”. Também Ângelo da aldeia de Tapixi, na avaliação fez sua reflexão mencionando que "esse encontro me tocou", e se propôs a incentivar o
cultivo tradicional formando um grupo de jovens e adolescentes para fazer
mutirões para cultivar espécies tradicionais, incentivar mais famílias. Novos horizontes para fazer da 'comida' alimento: para o corpo, para o ambiente e para a alma!