Os acasos que talvez não sejam acasos. Os encontros não planejados, as descobertas!
Somos a Associação de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento Humano - Outro Olhar, fundada em 2008, a partir da ideologia e determinação de diversos profissionais de várias áreas do conhecimento com vasta experiência em projetos ligados ao terceiro setor.
Bem Vindos ao nosso Espaço!
terça-feira, 18 de junho de 2024
Uma visita ao Rosenhof Taubertal
domingo, 12 de dezembro de 2021
Nhambovy'a Kiringue: Alegria para as crianças
Questionamentos externos: por que doces e presentes e não alimentos? Seria muito mais proveitoso serem 'cestas básicas! Reflexões vão e vem: sim, se pensamos em saciedade: cestas básicas, sem dúvida. No entanto, o pedido foi 'uma alegria para as crianças'; então, temos nós o direito de negar, ou se opor/impor o que nós entendemos como 'mais necessário'? Sorrisos e alegria também alimentam, a alma, a esperança, a vontade de viver. E é época de ter esperança, então sim: doces e presentes!
Dias se passaram, conversas foram feitas, ideias foram sendo 'apuradas' no caldeirão da colaboração e o resultado: no dia 11 de dezembro uma 'Tarde de Alegria' para as crianças da tekoa Palmeirinha do Iguaçu, TI de Mangueirinha, município de Chopinzinho - PR com: brincadeiras (piscina de bolinhas, cama elástica); brechó para as mães com um presentinho extra; ração para cães e gatos; lanche com salgados de festa, frutas [convencionais e agroecológicas] para todos os participantes e os tão esperados presentes e doces!
Liderança da Tekoa Palmeirinha do Iguaçu
Mais uma vez nossa gratidão e nossos sorrisos!
segunda-feira, 18 de outubro de 2021
Cerejas, Agroflorestas e Nheminhotỹ Moĩ Porã
Não exatamente nessa ordem, mas as atividades entre 14 e 15 de outubro permitiram essas práticas e consequentes reflexões contidas no título. Voltando um pouco no tempo, entre 2013 e 2015 foram plantadas muitas árvores nativas e frutíferas exóticas para formar as 'agroflorestas'. Muito marcante pra mim foi que, só em 2015 conseguimos, equipe de trabalho da Outro Olhar e grupos nas Tekoa, entendermos mutuamente o que efetivamente era agrofloresta. A partir da expressão de um participante durante um curso 'ah, então agrofloresta é isso, fazer o que os antigos já faziam, agora que entendi'; o que era novo, não era novo, era revisitar uma prática antiga da Agricultura Guarani; e para nós os jurua, o entendimento de que não eram simples agroflorestas, eram Agroflorestas Guarani, significando que, na técnica da agrofloresta jurua se aplica a técnica e cosmologia Guarani.
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Foto: Ara Ju |
Em 2021, essas agroflorestas estão nas Tekoa, em diferentes níveis, com diferentes cuidados. Novas variedades, replantios sendo feitos (com mudas nativas a partir da doação do Horto Faxinal do Céu - Copel) e uma deliciosa surpresa foi que, esse período é o período das cerejas estarem maduras. E para nossa alegria, três variedades de cereja nativa estão produzindo, sem recorrer aos nomes técnicos, vamos lá: cereja gordinha, cereja redondinha e cereja gordinha amarela. Lindo de ver, gostoso de comer. Alegria das crianças e dos adultos. Frutos do trabalho e dedicação de cada um que ajudou nessa construção.
Se em 2015 houve essa 'revelação', na sexta feira chuvosa do dia 15 de outubro, arrisco dizer que tivemos outra 'revelação/entendimento'. Há muito falamos em sementes crioulas, depois optamos por chamar de tradicionais ou sagradas; então nada mais justo que aproximar a agricultura Guarani da concepção dos Guardiões de Sementes. Tantas conversas, atividades e, novamente, o chegar ao entendimento do que o jurua quer dizer na sua língua e o que o Guarani entende na sua.
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Foto: Ara Ju |
Parece tão simples 'Guardião de Sementes', pois, na concepção da expressão jurua talvez; na concepção Guarani havia uma grande diferença, quase um abismo que as palavras criavam. Tento explicar: o entendimento da palavra 'guardião' para o Guarani, não faz sentido para 'sementes'; guardar é um ato isolado, é um ato de 'retirar'; quase antagonizando com cuidado, reprodução. Então, quando se diz Guardião de Sementes, o que vem a mente é tão estranho que, por mais que a ideia fosse explicada já algumas vezes, ela não conseguia ser realizada.
E foi em uma conversa no entorno do fogo, que aquecia na manhã chuvosa, que o entendimento se fez, junto ao grupo Aty Miri da Tekoa Palmeirinha do Iguaçu. Para o Guarani sentido faz ser Nheminhoty Moĩ Porã, que é cuidar das plantas/sementes para que nunca acabem; não é guardar, é manter ela viva; garantir seus ciclos; garantir que a sagrada vida não se perca nela; manter saudável para que sempre possa germinar, de novo, de novo e de novo.
Então que as agroflorestas Guarani possam ser apoio aos Nheminhotỹ Moĩ Porã!
Por: Ara Ju (Sandra König)
Jurua - pessoa não indígena
quarta-feira, 6 de outubro de 2021
Ka'a Nhemongarai tekoa Monjolinho
O território é mais do que um lugar para se ter uma casa e explorar a terra para sustentar a vida e o luxo de quem dela se diz 'dono'. Território é lugar de vida, de saúde, de estabelecer moradia, de cuidar da terra, para dela colher bons frutos, é tekoa.
A partir desse entendimento, de construir e reconstruir essas relações surge a tekoa Monjolinho, desmembrada da tekoa Tapixi, deseja trilhar seu 'tape porã' [bom caminho]; e uma das primeiras necessidades é ter sua Opy'i [cara cerimonial Guarani].
Feita com as mãos dos moradores da tekoa, madeiras cortadas na floresta, paredes de pau a pique, roliços outros lascados com machado; telhado provisório; o mais importante porém já acontece desde quando nem as paredes estavam colocadas: as noites de canto!
Opy'i em pé é hora de fazer a Ka'a Nhemongarai [cerimônia de bênção e batismo com erva mate].
Nuvens no céu, depois de algumas semanas de sol e terra seca, a chuva é esperada. E ela chega forte já na sexta feira. A noite na Opy'i é de expectativa de se será possível colher erva mate e sapecar na manhã seguinte.
Durante a noite e madrugada, muita chuva, alguns raios e um pouco de vento. Amanhece o dia com chuvica, as nuvens pesadas dão lugar a outras que quase dão passagem ao sol, o Xamoi [líder espiritual] se apressa com os xondaro kuery [jovens do gênero masculino] para colher e sapecar a erva mate, deixando os ramalhetes prontos, é só aguardar o meio dia para o inicio/sequência da cerimônia.
O céu fecha outra vez, chuva forte, o telhado provisório resiste. A comunidade se reúne, o fogo aquece a água do chimarrão e também os pés que molharam para chegarem ali.
O Xamoi entoa seu canto e o ritual inicia. Cada xondaro pega seu ramalhete, faz a caminhada circular sob o canto do Xamoi que continua forte. Após, depositam, um a um, seu ramalhete no altar junto com suas intenções, nomes de quem está presente e para quem está ausente também. O Xamoi e os xondaro kuery abençoam os ramalhetes com a fumaça dos petygua [cachimbo Guarani] na sagrada comunicação com as divindades.
Essa parte do cerimonial está encerrada, pessoas se sentam em volta do fogo, seguem algumas conversas, risadas, aos poucos cada um vai pra sua casa, porque quando anoitecer, será hora de voltar para a Opy'i e continuar o cerimonial.
Entre rápidos períodos de chuva mais amena transcorreu a tarde, noite chega, chuva que segue e aos poucos a Opy'i volta a se encher de gente. Ao chamado do Xamoi os xondaro e xondaria kuery se posicionam e entoam os lindos mbora'i [cantos sagrados Guarani]. As horas passam, atendimentos são feitos e, com seu canto característico o Xamoi em consonância com as divindades revela os nomes dos espíritos que estão habitando os corpos. [traduzindo: revela o nome espiritual das crianças, o batismo Guarani dos xondaro].
Amanhã a cerimônia irá continuar. Agora é momento para repor as forças, uma refeição é servida, ali mesmo na Opy'i.
O domingo amanhece, ainda com chuva, durante a noite trovoadas e relâmpagos, a Xaryi explica que é bom que Wera e Tupã se manifestem assim, eles vem para limpar as coisas ruins [divindade do raio e do trovão, respectivamente].
Hoje o protagonismo é das kunha (mulheres) xondaria e xaryi kuery se reúnem na Opy'i, providenciam a lenha para sapecar/secar os ramalhetes de erva que passaram a noite na Opy'i. Enquanto algumas cuidam do fogo, outras já socam no pilão as folhas mais secas, e essa ação é repetida várias vezes até os ramalhetes de erva mate praticamente desaparecerem. E no recipiente agora descansa a erva mate socada. Cada Xaryi e Xondaria se aproxima, prepara seu 'pote' com a erva mate e ao toque do Xamoi inicia a caminhada para consagrar, lentamente cada 'pote' é depositado sobre o altar com o nome de cada kunha e suas intenções que são recebidas pelo Xamoi. Este as abençoa em seguida as Xaryi e Xondaria kuery.
Mbora'i são entoados, Xamoi orienta para os que precisam ter seu nome revelado ou sentem que precisam de uma benção especial se assentam mais a frente no banquinho posicionado para tal. Segue um canto solitário do Xamoi, depois passa a ser acompanhado pelos xondaro, xondaria e xaryi kuery; as vezes, a revelação vem rápido, outras demora mais. Nesta tarde, uma das meninas recebeu o nome de Ara Yvoty, em minha livre tradução como ‘flor do dia’, nome que eu, particularmente acho lindo.
Nos comentários e reflexões que seguiram os agradecimentos foram para todos e de todos. Para a comunidade pela participação, por levantar a Opy’i de forma tão rápida e pelo viver de cada noite; pela aproximação das famílias a partir da vivência espiritual, pela dedicação de cada um ao coletivo; para os Xamoi e Xaryi kuery pela tempo e partilha dos conhecimentos e pelas ‘nhe’e porã’ boas palavras. Para as divindades por nos permitirem viver e realizar o que realizamos. Nessa toada, encerrou-se a cerimônia e as pessoas seguem seus caminhos mais fortalecidas e abençoadas.
Aguyjevete!
Relato de Vivência por Ara Ju
Tempo Novo: Ara Pyau
Primavera, ano novo, sim em setembro, quando as plantas brotam depois dos meses de inverno, o sol já esquenta a terra, é tempo de preparar o roçado e lançar as sementes no solo. A vida se renova, começa o ano novo Guarani, a transformação do Ara Yma [tempo velho] em Ara Pyau [tempo novo].
Francisca Jaxuka Benites junto com outras mulheres passaram o ano de 2020 e 2021 até agosto, durante a pandemia da Covid-19 cuidando da área de cultivo comum do grupo: a agrofloresta.
A lida com as plantas, o cuidado com a terra despertaram para o chamado do cuidado maior, do cuidado tradicional. Depois de muitos anos sem realizar a Nhanhoty va’e Nhemongarai [cerimônia da bênção das sementes e plantas], no dia 20 de setembro de 2021 foi realizada novamente por decisão dessas mulheres de raízes, de cultura e de vida.
Quando o sol aparece no horizonte na manhã seguinte, as sementes e plantas juntamente com os plantadores e plantadoras estão abençoados e seguem seu destino de gerar vida, frutos e alimentos.
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
Nossas Culturas, Nossos Territórios, Nossa Luta Comum
Na tarde
do dia 25 de setembro mulheres de territórios diferentes, de culturas
diferentes se reuniram, presencial e online para uma 'Roda de Conversa'.
Mulheres
organizadas em coletivos e também mulheres sem um coletivo específico que
dedicam sua vida a trabalhar as causas sociais, a saber: Movimento Jera Rete,
Grupo Aty Miri, Coletivo Feminista Cláudia da Silva, Movimento das Mulheres
Camponesas e Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia- CAPA Núcleo Verê/FLD.
Flores Guardiãssementes pequenassementes que somossemente não é só feijão e milhosemente é da flor, da alface é de gentesemente é renda e é comida…semente é uma missão que as mulheresfazem de forma aguerridaimagina o que seria da vidase não fossem as floresde várias coresde muitos saboresimagina o que seria da vidase não fossem as hortas e os quintaistrazendo comida de verdadepro campo e pra cidadeimagina o que seria da vidase não fossem as matase os povos que nelas viveme toda sabedoria que eles transmitemhá quem, a vida cultivahá quem ela cuidehá quem veja no vivera motivação para cada diaa vida saída da terrado ventrea vida saída de tantas mulherese de tantas sementesMulheres que criam vidacom seus corpos, suas mentes, seus espíritosque sopram sonhos e cançõesque reconhecem o canto dos pássarose o mudar das estaçõesMulheres guardiãssabedoras de como mantercomo melhorarcomo semearseus alimentosMulheres guardiãsque conhecem espécies de floresde ervas, de animais e de tudo que vai no roçadoMulheres guardiãsque cultivam na mata, sua comidasuas medicinas, sua ancestralidade
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Foto: Ara Ju |
Floriana
Jaxuka diz que se emocionou em perceber que os medos que ela sente, são também
os medos de outras mulheres; que sentiu que momentos assim fazem bem; que
precisam ter outros. Como é bom ser compreendida e acolhida.
Rafaela, a
princípio, chegou tímida, cheia de receios sobre o que compartilhar, timidez
essa que logo se transformou em esperança, concretizada em cada palavra e em
cada identificação que rolava com as mulheres indígenas e camponesas. Poder se
reunir e falar entre mulheres, no meio das árvores, entre crianças brincando,
entre os animais sobre sentimentos que não somos permitidas falar no dia a dia
por conta das correrias, das atividades, das obrigações é uma forma de cuidado
mútuo. Em cada palavra compartilhada era nítido o olhar da outra que por algum
momento também se sentiu assim. Somos diversas e isso é maravilhoso!!! Que
possamos celebrar a nossa diversidade, as nossas diferenças, que possamos viver
nesse mundo possível onde a vida é mais importante que qualquer coisa!
Para mim, Eliane,
foi um dia super diferente do "normal" um dia especial. A troca entre
mulheres tão "diferentes" mostra que as diferenças quase não existem.
Oque mais me marcou foi a questão dos medos e o que eles representam. Um medo
que parece tão simples, como o medo do escuro, na verdade é muito mais que
isso, na verdade é o maior medo, porque o escuro representa muito, representa
tudo...
Foi um dia que guardarei em minhas memórias. Estar entre mulheres, compartilhar sentimentos nos fortalece muito.
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Foto: Eliane Gralak |
Talita diz
que foi uma tarde inspiradora e cheia de emoções, que nos deixou com um
gostinho de “quero mais”. Onde nossas diferenças e nossas semelhanças puderam
se misturaram em um “compartilhar”. Ao final, combinamos um novo encontro, o
qual me deixa empolgada por saber que podemos continuar nossas trocas e ainda
podendo somar mais mulheres na roda.
Para
Lunamar, camponesa integrante do MMC e assessora técnica do CAPA-Verê, esse
momento foi de uma simplicidade e força que só se vê quando mulheres se unem,
quando somos capazes de pôr nossa escuta e nossa fala às outras, com respeito
de saber que cada história, cada vivência, trará suas dimensões da vida, cada
mulher como uma árvore de raízes profundas, se junta com suas semelhantes na
busca de manter se viva e triunfante numa sociedade que se esqueceu como é ser
natureza. Mulheres de diferentes realidades, mas de sonhos comuns, de medos em
comum e de risadas compartilhadas, mulheres que em uma tarde de sábado se
juntam para saber que nunca estamos sozinhas quando temos umas às outras.
Para mim, Sandra
Marli da Rocha Rodrigues do Movimento de Mulheres Camponesas – MMC, foi um
momento de partilha, diálogo, escuta, solidariedade, sororidade e
fortalecimento. Vivemos tempos muito difíceis, onde a diversidade de vida está
ainda mais ameaçada, e para fazer o enfrentamento e resistência as políticas de
morte que o sistema capitalista, patriarcal e racista nos impõe, precisamos nos
fortalecer coletivamente, estreitando os laços entre as mulheres do campo, das
águas, das florestas e das cidades. E, nesse sentido, a roda de conversa foi
uma sementeira com terra fértil onde semeamos as sementes dessa articulação
entre as mulheres de vários territórios desse chão paranaense!
Que
possamos construir mais espaços para sentir/pensar/construir o esperançar por
dias melhores!
Sigamos de
mãos dadas fortalecendo a luta em defesa da vida, todos os dias.
E para o encerramento, Sandra Marli
apresentou um texto, adaptado por ela de um grupo chamado "magias de bruxa”:
LIBERTO-ME, LIBERTE-SE, LIBERTEMO-NOS!
Eu
liberto meus pais do sentimento de que já falharam comigo.
Eu
liberto meus filhos e minha filhas da necessidade de trazerem orgulho para mim;
que possam escrever seus próprios caminhos de acordo com seus corações, que
sussurram o tempo todo em seus ouvidos.
Eu
liberto meu parceiro/parceira da
obrigação de me completar. Sou completa, não me falta nada, aprendo com todos
os seres o tempo todo. Estou em permanente construção.
Agradeço
aos meus avós e antepassados que se reuniram para que hoje eu respire a vida.
Libero-os
das falhas do passado e dos desejos que não cumpriram, conscientes de que
fizeram o melhor que puderam para resolver suas situações dentro da consciência
que tinham naquele momento histórico. Eu os honro, os amo e os reconheço
inocentes.
Eu
me desnudo diante de seus olhos, por isso eles sabem que eu não escondo nem
devo nada além de ser fiel a mim mesmo e à minha própria existência, que
caminhando com a sabedoria do coração, estou ciente de que cumpro o meu projeto
de vida, livre de lealdades familiares invisíveis e visíveis que possam
perturbar minha Paz e Felicidade, que são minhas responsabilidades.
Eu
renuncio ao papel de salvadora, de ser aquela que une ou cumpre as expectativas
dos outros.
Aprendendo
através do AMOR e da minha experiência e existência no mundo, eu abençoo minha
essência, minha maneira de expressar, mesmo que alguém possa não me entender.
Eu
entendo a mim mesma, porque só eu vivi e experimentei minha história; porque me
conheço, sei quem sou, o que eu sinto, o que eu faço e por que faço.
Me
respeito e me aprovo. Respeitando a minha individualidade, me fortaleço na
coletividade.
Eu
honro a Divindade, a espiritualidade em mim e em você, eu honro as diversas
expressões de divindades e religiosidades das mulheres do campo, das águas, das
florestas, das periferias, do MMC… Somos livres! Sejamos livres!
Texto feito à muitas mãos: Eliane Gralak, Floriana Jaxuka Rete Poty Martines, Lunamar Cristina, Rafaela Contessotto, Sandra Marli da Rocha Rodrigues, Sandra König, Talita Slota Kutz
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Foto: Eliane Gralak |
terça-feira, 14 de setembro de 2021
Impressões e reflexões de um nhemboaty, nhemongeta porã kunhangue reve
Impressões e Reflexões de um belo encontro entre mulheres
Conhecer para compreender e poder somar é a premissa para qualquer colaboração que pretenda ser genuína. O Coletivo Cláudia da Silva, sendo interseccional, procura se aproximar dos diferentes feminismos. E um deles é o feminismo indígena, quase nada conhecido por nós. Surgida a oportunidade, antes mesmo de leitura teóricas, estamos conseguindo realizar atividades com grupos de mulheres indígenas Guarani [Outro Olhar e Coletivo Cláudia da Silva].
No ano de 2020, Outro Olhar e Coletivo Cláudia da Silva, realizaram um mês de publicações com mulheres Guarani das aldeias da Rede Solidária Popyguá, como forma de mostrar e conhecer os rostos e as histórias; por entenderem que há uma invisibilidade estrutural. Junto a essas postagens foram realizadas rodas de conversas e ‘entrevistas’ online, durante todo o mês de setembro; foi lindo de ver, emocionante sentir as emoções decorrentes das lutas, da força, da resistência. E abriu ali uma possibilidade de seguir com as interações.
2021 iniciou ainda sob a pandemia que entra em período agora que a fome bate à porta de muitas famílias. Não é nosso objetivo principal fazer ações emergenciais nessa linha, porém diante da situação, não podemos nos omitir, então, quando possível, estamos arrecadando alimentos, roupas, produtos de higiene, limpeza que são doados para famílias em Guarapuava e algumas aldeias Guarani.
Através do Instituto C&A o Coletivo Cláudia da Silva conseguiu a doação de 80 cestas de alimentos, as quais foram distribuídas entre famílias em Guarapuava e as aldeias de: Monjolinho, Palmeirinha do Iguaçu, Amba Tenonde e Koe Ju Porã.
Seguindo na linha de conhecer um pouco mais as diferentes realidades, integrantes do Coletivo Cláudia da Silva e Outro Olhar organizaram uma atividade com as mulheres da aldeia guarani de Koe Ju Porã, TI Marrecas, município do Turvo. Esse encontro de bom acolhimento, partilhas foi extremamente gratificante.
Na conversa orientada por uma dinâmica, foi possível perceber que, apesar de o modo de viver ser diferente, há 'gostares' semelhantes: gostar de comer comidas preferidas; de ter, estar, conviver com a família e amigos; de ter atividades de lazer no nosso lugar de vida. Assim como os medos tem semelhanças: a situação atual do país; os rumos políticos; a perda de direitos; a violência do Estado e das pessoas; a falta de recursos e a fome. Para além dos medos e dificuldades, algumas alegrias comuns: ter a família próxima; conviver com amigos; ter os alimentos preferidos para comer; poder vivenciar para o fortalecimento da cultura, da língua materna, de ir na Opy’i; compartilhar bons momentos em grupo ou em comunidade.
Partindo dos pontos comuns, motivadas pela vontade latente de poder realizar ações para proporcionar alegria; ajudar a superar os medos e garantir direitos básicos e direitos à vida será realizada uma roda de conversa com outras duas aldeias: Palmeirinha do Iguaçu e Monjolinho, que contará também com representantes do Movimento das Mulheres Camponesas e das participantes do Coletivo Cláudia da Silva para conhecer, aproximar, interagir e construir caminhos conjuntos.
OBS:
TI –Terra Indígena
Opy’i – Casa cerimonial Guarani