Somos a Associação de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento Humano - Outro Olhar, fundada em 2008, a partir da ideologia e determinação de diversos profissionais de várias áreas do conhecimento com vasta experiência em projetos ligados ao terceiro setor.

Bem Vindos ao nosso Espaço!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Edital de Convocação para Assembleia Geral Ordinária

A Associação de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento Humano – Outro Olhar, através da sua Diretora Presidente Sra. Sandra König, no uso de suas atribuições conforme prevê o Estatuto Social no artigo 19º, convoca a todos os associados para a Assembleia Geral Ordinária a ser realizada no dia 30 de Maio de 2015, em primeira convocação com a maioria dos associados às 14:00 horas, e em segunda convocação com qualquer número de associados às 14:30 horas na sede do escritório da Outro Olhar, sito à BR 277, Km 347, Estrada do Rocio, s/n, Guarapuava – Paraná.
Tendo como pauta:
1) Relatório de Atividades 2014;
2) Planejamento 2015-2017;
3) Prestação de Contas;
4) Assuntos Gerais.
Contamos com a presença de todos.
Atenciosamente,
Guarapuava, 22 de Abril de 2015.




Sandra König

Diretora Presidente

terça-feira, 7 de abril de 2015

Olhar diferente para entender mais


No mês comemorativo à Cultura Indígena a Outro Olhar juntamente com as voluntárias do Serviço de Voluntariado Europeu - SVE, com o apoio da Rede Solidária Popyguá organizaram a exposição "Olhar diferente para entender mais" como forma de aproximar a cultura indígena da comunidade em geral, a partir de uma visão do passado, do tradicional e do atual, no entendimento de que a cultura é viva, e adapta-se às condições locais, mantendo sua essência. 
A exposição é uma pequena viagem de conhecimento pela cultura indígena com peças de uso histórico e atual, artesanato, noções de história, fotografias e desenhos de artesãos, jovens e adultos da Rede Solidária Popyguá e de diferentes grupos étnicos do Brasil e América Latina. 
Uma ocasião para compreender, aprofundar e comemorar a cultura indígena, parte da nossa história e viva até hoje.
A exposição fica no Centro de Artes Iracema Trinco Ribeiro de 06 a 24 de abril, com visitação gratuita. Rua Marechal Floriano Peixoto, 1399, Centro, Guarapuava - PR. Mais informações pelo telefone, 3623 -1306.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

O longo caminho até Kuaray Guatá Porã

Ônibus de linha, uma noite dormindo na estrada, ônibus fretado, longas horas de viagem e a chegada a Guaraqueçaba, mais um pouco de espera para a maré subir e o barco chegar até a aldeia de Kuaray Guatá Porã. Na aldeia uma comunidade ansiosa para receber os visitantes, jantar pronto, local organizado e uma opy’i novinha aguardando os xamoi e as xary.
Assim começou o Encontro da Rede Solidária Popyguá, sob o tema “Plantas Medicinais Tradicionais”, realizado entre os dias 23 e 28 de março, atividade do projeto Nossa Aldeia: Nosso Ambiente, patrocinado pela Petrobras.
Os visitantes das aldeias de: Tapixi, Koe Ju Porã, Rio D’Areia, Ocoy, Añetete, Pinhal, Nhe’Engatu e Palmeirinha do Iguaçu e a equipe da Outro Olhar demonstraram sua solidariedade à comunidade local vencendo os desafios da logística e vivenciando as dificuldades de locomoção que os moradores enfrentam desde sempre.
A noite para descansar e na manhã seguinte as boas vindas da comunidade aos visitantes e o início das atividades com os comentários e aprendizados do II Encontro de Xamoĩ, realizado em meados de fevereiro acompanhado das trocas de experiências de cada aldeia.
Durante o dia realizou-se também a atividade referente aos ODM - Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, com enfoque na questão da alimentação saudável e resgate de sementes. Com reflexões sobre qual o compromisso com a alimentação saudável em cada uma das aldeias representadas.
O grande momento do encontro, a temática principal “Plantas Medicinais Tradicionais - Conhecimento e Uso”, conduzida pelos xamoĩ e xary convidados. Estes aplicaram seus conhecimentos e sabedoria diante de todos, levando suas misturas de raízes preparadas e fazendo a demonstração através do preparo de chá. As explicações foram realizadas em guarani e somente partes eram traduzidas para o português, a fim de preservar os segredos Guaranis. Momento de transmissão de conhecimento entre os participantes, que observavam com atenção a fala do Xamoĩ e Xary.

Sem dúvida foi uma importante oportunidade de conhecer mais sobre o uso das plantas medicinais tradicionais, admirar o conhecimento e sabedoria presente na cultura Guarani.
Além da importante temática abordada, o encontro foi também um momento de confraternização com as famílias da aldeia de Kuaray Guatá Porã, pode-se conhecer a realidade da aldeia, participar de cerimônias na Opy’i e apreciar a beleza natural da aldeia que está localizada numa península no município de Guaraqueçaba-PR, com chegada pelo mar, ao ditar das marés cheias.

Até o próximo encontro, que será em junho na aldeia de Tapixi, município de Nova Laranjeiras-PR ficam as histórias e o respeito ao esforço da comunidade para receber os visitantes com os limitados recursos locais e a grande alegria e orgulho em acolher os parentes Guarani.



Silmara Ap. Walendorff - equipe Outro Olhar

domingo, 8 de março de 2015

Todos os dias é um vai e vem

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero.
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
(...)
Milton Nascimento e Fernando Brant


Nesses últimos anos aprendemos muito com os voluntários do SVE que chegam e partem deixando suas marcas, nosso obrigado aos que contribuíram positivamente e também puderam levar experiências positivas conosco.

Como uma das últimas atividades aqui na Outro Olhar, um vídeo da voluntária Gloria Bayma sobre, como diz ela, 'um típico dia de trabalho na aldeia'.




Obrigada Glória e sucesso na sua vida!
Equipe Outro Olhar

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Avaliação do projeto SVE em Guarapuava, agosto 2014 a fevereiro 2015

Cada sítio é um filão. Basta andar por aí. Não ter pressa, estar sentado numa casa de chá a observar quem passa, pôr-se a um canto do mercado, ir cortar o cabelo, e depois seguir o fio da meada que pode começar numa palavra, num encontro, no amigo do amigo de uma pessoa com quem acabámos de nos encontrar, e o lugar mais insípido, mais insignificante do planeta, transforma-se num espelho do mundo, numa janela aberta para a vida, num teatro da humanidade diante do qual poderíamos deter-nos sem necessidade de ir a mais sítio nenhum. O filão está exactamente onde nós estamos. Basta cavar.” T. Terzani

Quando cheguei em Guarapuava achava que seis meses era um bom tempo para conhecer o Brasil e ter uma ideia completa do que é o trabalho efetivo de Outro Olhar. Agora sinto que fui muito ingênua: porque o país é enorme e visitei só uma parte microscópica e porque o trabalho da associação varia bastante, cada vez é diferente. Por um lado queria que este SVE durasse por mais tempo, para ter o tempo suficiente para ir ainda mais na profundidade das coisas e das pessoas. Mas sei que, mesmo ficando um tempo mais, sempre ia pensar que não seria bastante. A cultura brasileira é tão vasta e tão vária que já me sinto com sorte por ter conhecido um pouco da cultura guarani e por ter participado, por exemplo, às noites nas casas de rezas e às refeições todos juntos nas aldeias... Não tenho a certeza que vou conseguir contar tudo para os meus amigos e a minha família lá na Itália: têm coisas que são silenciosas e ficam simplesmente debaixo da pele. A magia daqueles lugares insinua-se dentro e é esplendidamente inenarrável. E para os amigos das aldeias: são lindos demais!
 Inútil dizer que vou sentir saudade de passar no meio do mato para ir no escritório onde cada dia é uma surpresa, vou sentir falta dos colegas com os quais compartilhamos momentos de stress e de risadas, e sim, vou sentir falta de vocês também, malditos borrachudos... mas só um pouquinho :). Adorei sentir-me parte de uma equipe, exprimir ideias, fazer propostas e realizar as diferentes atividades que tinha na minha cabecinha de vento. Obrigada por terem me ensinado a esperar tentando ficar sem ansiedade, a fazer o café brasileiro fechando a garrafa (mas sabem que não vou mudar a minha posição sobre qual é o mais gostoso!), a escutar melhor e a resistir na luta apesar dos obstáculos e das decepções que nos esperam no caminho.
Com certeza a gente teve bastante dificuldades de adaptação à nova realidade, ao clima bem inesperado, aos imprevistos e às exposições não de arte mas de bois e cavalos. A coisa mais linda foi superar tudo isso e pensar que vou voltar para casa com uma mochila do recheio diferente. Aqui deixei muitos objetos e vestidos da Itália e agora lá dentro têm bastante coisas brasileiras: chimarrão, fotos de amigas e amigos, brincos e colares guarani, vários livros. Foi uma troca mesmo, claramente não só material, mas sobretudo humana e social. Amei tudo.
Espero de ver vocês de novo e na espera conservarei dentro de mim lembranças verdes da natureza, vermelhas da terra e ao sabor de manga e água de coco. Molhei os pés no rio Jordão daí vou ter que voltar, só que ainda não sei quando. Por enquanto, enviem-me um pão de queijo de vez em quando e um grande “Meu Deus” para todos!
Abração e até logo...

Gloria Bayma - Voluntária SVE

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

II Encontro de Xamoĭ Kuery

O II Encontro de Xamoĭ Kuery  organizado pela Rede Solidária Popyguá e Outro Olhar pelo projeto Ambiente Inteiro: Terra Indígena da Cabeça aos pés, apoiado pela Fundação Interamericana, aconteceu de 02 a 06 de fevereiro de 2015 na aldeia de Rio D’Areia, Inácio Martins-PR com a presença de Xamoĭ e Xarĭ  Kuery,  Xonxarios e Xondarias  das 10 aldeias que compõem a Rede Solidária Popyguá.
A comunidade de Rio D’Areia teve a incumbência de construir uma nova Opy’i e a fez com maestria. Para a construção da nova Opy’i utilizaram varetas de madeira e revestiram com um lindo trançado de taquara batida, dando um acabamento tradicional.
A noite de 02/02/15 foi marcada pela inauguração da Opy’i que recebeu o nome espiritual de “Amba Jekupe Miri”- Altar do Precioso Deus.

A ocasião também foi marcada por uma homenagem a “Dona” Maria Ara Fernandes, moradora de muitos anos da aldeia e Xarĭ  fervorosa na defesa da cultura Guarani.
Em seguida iniciaram-se as boas vindas da comunidade e as apresentações de cada coordenador de grupo e seus participantes.

Os dias de encontro foram marcados pela palavra do Xamoĭ e Xarĭ Kuery que principalmente falaram da perca da cultura e da ausência dos jovens nas Opy’i. Reforçaram a importância de ter Xamoĭ e Xarĭ em cada aldeia e de seguirem os seus ensinamentos e viver cada vez mais na cultura Indígena.

O encontro foi um momento especial para os Guarani e para os “Juruá”, não indígenas, que participaram e puderam sentir a presença do Nhanderu mais próximo e o espirito de solidariedade entre as aldeias da Rede.  Prevalecendo, em todos os momentos o  sentimento de irmandade e de respeito à cultura Guarani.