Somos a Associação de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento Humano - Outro Olhar, fundada em 2008, a partir da ideologia e determinação de diversos profissionais de várias áreas do conhecimento com vasta experiência em projetos ligados ao terceiro setor.

Bem Vindos ao nosso Espaço!

domingo, 8 de março de 2015

Todos os dias é um vai e vem

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero.
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
(...)
Milton Nascimento e Fernando Brant


Nesses últimos anos aprendemos muito com os voluntários do SVE que chegam e partem deixando suas marcas, nosso obrigado aos que contribuíram positivamente e também puderam levar experiências positivas conosco.

Como uma das últimas atividades aqui na Outro Olhar, um vídeo da voluntária Gloria Bayma sobre, como diz ela, 'um típico dia de trabalho na aldeia'.




Obrigada Glória e sucesso na sua vida!
Equipe Outro Olhar

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Avaliação do projeto SVE em Guarapuava, agosto 2014 a fevereiro 2015

Cada sítio é um filão. Basta andar por aí. Não ter pressa, estar sentado numa casa de chá a observar quem passa, pôr-se a um canto do mercado, ir cortar o cabelo, e depois seguir o fio da meada que pode começar numa palavra, num encontro, no amigo do amigo de uma pessoa com quem acabámos de nos encontrar, e o lugar mais insípido, mais insignificante do planeta, transforma-se num espelho do mundo, numa janela aberta para a vida, num teatro da humanidade diante do qual poderíamos deter-nos sem necessidade de ir a mais sítio nenhum. O filão está exactamente onde nós estamos. Basta cavar.” T. Terzani

Quando cheguei em Guarapuava achava que seis meses era um bom tempo para conhecer o Brasil e ter uma ideia completa do que é o trabalho efetivo de Outro Olhar. Agora sinto que fui muito ingênua: porque o país é enorme e visitei só uma parte microscópica e porque o trabalho da associação varia bastante, cada vez é diferente. Por um lado queria que este SVE durasse por mais tempo, para ter o tempo suficiente para ir ainda mais na profundidade das coisas e das pessoas. Mas sei que, mesmo ficando um tempo mais, sempre ia pensar que não seria bastante. A cultura brasileira é tão vasta e tão vária que já me sinto com sorte por ter conhecido um pouco da cultura guarani e por ter participado, por exemplo, às noites nas casas de rezas e às refeições todos juntos nas aldeias... Não tenho a certeza que vou conseguir contar tudo para os meus amigos e a minha família lá na Itália: têm coisas que são silenciosas e ficam simplesmente debaixo da pele. A magia daqueles lugares insinua-se dentro e é esplendidamente inenarrável. E para os amigos das aldeias: são lindos demais!
 Inútil dizer que vou sentir saudade de passar no meio do mato para ir no escritório onde cada dia é uma surpresa, vou sentir falta dos colegas com os quais compartilhamos momentos de stress e de risadas, e sim, vou sentir falta de vocês também, malditos borrachudos... mas só um pouquinho :). Adorei sentir-me parte de uma equipe, exprimir ideias, fazer propostas e realizar as diferentes atividades que tinha na minha cabecinha de vento. Obrigada por terem me ensinado a esperar tentando ficar sem ansiedade, a fazer o café brasileiro fechando a garrafa (mas sabem que não vou mudar a minha posição sobre qual é o mais gostoso!), a escutar melhor e a resistir na luta apesar dos obstáculos e das decepções que nos esperam no caminho.
Com certeza a gente teve bastante dificuldades de adaptação à nova realidade, ao clima bem inesperado, aos imprevistos e às exposições não de arte mas de bois e cavalos. A coisa mais linda foi superar tudo isso e pensar que vou voltar para casa com uma mochila do recheio diferente. Aqui deixei muitos objetos e vestidos da Itália e agora lá dentro têm bastante coisas brasileiras: chimarrão, fotos de amigas e amigos, brincos e colares guarani, vários livros. Foi uma troca mesmo, claramente não só material, mas sobretudo humana e social. Amei tudo.
Espero de ver vocês de novo e na espera conservarei dentro de mim lembranças verdes da natureza, vermelhas da terra e ao sabor de manga e água de coco. Molhei os pés no rio Jordão daí vou ter que voltar, só que ainda não sei quando. Por enquanto, enviem-me um pão de queijo de vez em quando e um grande “Meu Deus” para todos!
Abração e até logo...

Gloria Bayma - Voluntária SVE

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

II Encontro de Xamoĭ Kuery

O II Encontro de Xamoĭ Kuery  organizado pela Rede Solidária Popyguá e Outro Olhar pelo projeto Ambiente Inteiro: Terra Indígena da Cabeça aos pés, apoiado pela Fundação Interamericana, aconteceu de 02 a 06 de fevereiro de 2015 na aldeia de Rio D’Areia, Inácio Martins-PR com a presença de Xamoĭ e Xarĭ  Kuery,  Xonxarios e Xondarias  das 10 aldeias que compõem a Rede Solidária Popyguá.
A comunidade de Rio D’Areia teve a incumbência de construir uma nova Opy’i e a fez com maestria. Para a construção da nova Opy’i utilizaram varetas de madeira e revestiram com um lindo trançado de taquara batida, dando um acabamento tradicional.
A noite de 02/02/15 foi marcada pela inauguração da Opy’i que recebeu o nome espiritual de “Amba Jekupe Miri”- Altar do Precioso Deus.

A ocasião também foi marcada por uma homenagem a “Dona” Maria Ara Fernandes, moradora de muitos anos da aldeia e Xarĭ  fervorosa na defesa da cultura Guarani.
Em seguida iniciaram-se as boas vindas da comunidade e as apresentações de cada coordenador de grupo e seus participantes.

Os dias de encontro foram marcados pela palavra do Xamoĭ e Xarĭ Kuery que principalmente falaram da perca da cultura e da ausência dos jovens nas Opy’i. Reforçaram a importância de ter Xamoĭ e Xarĭ em cada aldeia e de seguirem os seus ensinamentos e viver cada vez mais na cultura Indígena.

O encontro foi um momento especial para os Guarani e para os “Juruá”, não indígenas, que participaram e puderam sentir a presença do Nhanderu mais próximo e o espirito de solidariedade entre as aldeias da Rede.  Prevalecendo, em todos os momentos o  sentimento de irmandade e de respeito à cultura Guarani.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

ODM- Objetivos de Desenvolvimento do Milênio

Representantes da Outro Olhar e da Rede Solidária Popyguá vem participando deste maio deste ano de atividades em parceria com o SESI Guarapuava de atividades referentes aos ODMs.
Neste período foram realizadas atividades nas aldeias de Rio d’Areia, nesta ocasião além da construção de um conjunto de lixeiras com tambores em plástico doados pela colaboradora GRT- Óleo vegetal, contamos com a presença do representante da secretaria municipal de agricultura de Inácio Martins-PR, Sr. Osmar.
A reunião foi no sentido de estabelecermos parceria com prefeitura municipal para a coleta seletiva de lixo ser realizada na aldeia de Rio d’Areia. 
Já na aldeia de Palmeirinha do Iguaçu- Chopinzinho foi retornado para a realização de palestra sobre a importância da reciclagem, conduzida pelo jovem Jocélio Ryzy - Técnico em Meio Ambiente. Da mesma forma a intenção é firmar novas parcerias, sendo assim ficou o indicativo de conversar com a prefeitura de Chopinzinho para o desenvolvimento de atividades em conjunto.
Ainda dois técnicos da Outro Olhar, Edenilson e Silmara participaram de Curso para Capacitação de multiplicadores dos ODMs, realizado em Outubro de 2014 em Brasília.
Ainda participamos do Congresso Nacional pelo Movimento Nacional Cidadania e Solidariedade, realizado em Belo Horizonte no mês de novembro, no qual foram apresentados alguns avanços nos 10 anos de movimento. Bem como a agenda pós 2015 na qual foram apresentados os 17 ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que irão suceder os ODM.

Recentemente nos dia 02 e 03 de dezembro de 2014 participou-se do congresso paranaense, promovido pelo do SESI Paraná e tendo como tema “A Caminhada dos ODM no Paraná e a Agenda Pós-2015″. O evento contou com a presença de instituições que trabalham principalmente em ações que contribuem para erradicar a fome e a miséria, por meio dos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). O objetivo foi mostrar os resultados alcançados no Estado e discutir metas para os próximos anos.

FORMANDO EM REDE

O curso Formando em Rede teve seu último módulo realizado entre os dias 25 e 28 de Novembro de 2014, no Centro de Formação Juan Diego, em Guarapuava.
Através do Teatro do Oprimido, Sandra e Glória interpretaram uma peça teatral com a temática do alcoolismo. De forma bastante enfática chamando a atenção para os problemas que são ocasionados pelo álcool. Ao final um debate sobre as consequências de suas atitudes se elas podem ter sempre um final trágico ou se podem ter um final feliz. Timidamente após uma reflexão os jovens manifestaram suas opiniões.
O módulo teve como temática principal Terra: Nossa Casa Comum. A temática do desenvolvimento local foi trabalhada exaustivamente com textos, releituras, leituras e reflexões até resultar na definição de desenvolvimento para os jovens do Formando em Rede, sendo: Entendemos que a sustentabilidade é todos trabalhado juntos para melhorar a qualidade de vida. Buscar soluções para produzir alimentos saudáveis. Compartilhar a experiência de trabalho em sociedade, sem causar danos ao meio ambiente. Respeitar o meio ambiente realizando uma produção saudável, também viver em harmonia com a natureza, porque sem ela não teremos como manter nossa cultura e tradição, viver junto a ela, cuidar dela. Sem a natureza não conseguiríamos nem respirar.

Com o intuito de melhorar e manter o uso da Terra pelos jovens indígenas também estão sendo trabalhadas as questões relacionadas a meio ambiente e sustentabilidade das florestas desta forma a aumentar as possibilidades da permanência dos jovens em suas aldeias, com renda e dignidade.
Para auxiliar nas reflexões foi abordada a temática da agroecologia passando pelos agrotóxicos, chamando atenção para o que comemos todos os dias. Com pesquisas e estudos destacou os principais produtos contaminados que ingerimos alguns deles: alface, tomate, pimentão, abacaxi. Na sequência destacou alguns inseticidas naturais que podem ser utilizados como repelentes de pragas nos cultivos como o crisântemo e o purungo, este último presente na maioria das aldeias.
O encerramento do Formando em Rede foi um Lual com degustação de comidas típicas Guarani e Italiana. Entre os pratos guarani o Mbjape foi o principal e a Brusqueta a italiana. Para animar o Lual recebemos a visita dos músicos do projeto Ex-Guia, seguido pelos jovens que tocaram e cataram músicas guaranis.

Curso Agentes Ambientais e Desenvolvimento


O curso Agente Ambientais e Desenvolvimento, organizado a partir do projeto Tekoha Sustentável teve uma etapa extra que aconteceu entre os dias 25 e 28 de novembro na qual os participantes puderam tirar as suas dúvidas em relação ao plano de negócio que havia sido trabalhada no encontro anterior. A orientação foi realizada por Antonio Carlos Guedes que relembrou conceitos de empreendedorismo e motivou os participantes a desenvolverem as suas ideias.
As propostas de empreendimento elaboradas seguem diferentes linhas, mas sempre observando a demanda local e viabilidade de implementação. Entre elas: o Turismo Social; Criação de Galinhas para Comercialização de Carne e Ovos; Comercialização de Frutas e Verduras e Artesanato voltado para a produção de Bio joias.
Ainda visando à questão ambiental e a sustentabilidade das comunidades realizou-se visitas a campo para acompanhar alguns modelos de produção e cultivo.
Inicialmente a visita aconteceu na secretaria municipal de meio ambiente de Guarapuava - PR na qual foi possível acompanhar a produção de mudas nativas e de flores, pensando que pode ser uma possibilidade/alternativa para geração de renda nas aldeias.

Em seguida visitamos o Colégio Agrícola Arlindo Ribeiro, no qual pudemos conhecer a horta orgânica, onde são produzidos alimentos para os alunos do colégio. Todo o processo de cultivo é desenvolvido de forma orgânica, com uso de bio fertilizantes e compostagem com o reaproveitamento de palhas, cascas e outros resíduos.
Na sequência conhecemos a criação de galinhas poedeiras em dois modelos: o primeiro no sistema convencional, onde as aves ficam em gaiolas e sem poder sair do local, completamente fechadas. No segundo conhecemos a criação extensiva no qual as galinhas ficam soltas em um galinheiro e podem sair pastejar em um cercado com árvores e capim. Este segundo é a forma que entendemos ser a melhor, pois as aves podem estar mais livres e viver de forma mais parecida com seu habitat natural. Explicou que este sistema está sendo implantado no colégio, que busca cada vez mais desenvolver seus cultivos e criações de forma orgânica.