Somos a Associação de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento Humano - Outro Olhar, fundada em 2008, a partir da ideologia e determinação de diversos profissionais de várias áreas do conhecimento com vasta experiência em projetos ligados ao terceiro setor.

Bem Vindos ao nosso Espaço!

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Centro Turístico e Cultural Guarani Mbyá


A tekoa Rio d'Areia inaugurou hoje o Centro Turístico e Cultural Guarani Mbyá e está de parabéns pelo empenho e envolvimento de muitos para que esse 'sonho' fosse realizado. Há muito, a comunidade almejava um espaço para receber parentes, visitantes, fazer eventos e viver a cultura Guarani.
Com ajuda da Emater de Inácio Martins, pelo programa Prorural, parceria com a prefeitura Municipal de Inácio Martins, PR, Funai e outros parceiros foi possível encaminhar o projeto, lutar por ele, trabalhar muito para nesta data enfim, inaugurar o espaço. Que aliás ficou lindíssimo!!!
O desenho inicial foi do jovem Osmar, que foi passado para uma arquiteta da Funai de Brasília, feitos os ajustes, voltou para o engenheiro fazer o memorial descritivo e por fim, a obra foi tomando forma; e no final ficou belíssima.
Muito além de espaço físico, o Centro inicia uma nova fase de vivência da tekoa Rio d'Areia com a sociedade não indígena; pois além das atividades internas da comunidade o espaço provocou, e está organizando o Turismo Sustentável.
Em formação realizada em fevereiro deste ano opções de roteiro foram criados pelos jovens e lideranças da comunidade; com o cuidado de tornar a vivência interessante ao turista, respeitar o ambiente, a cultura e proporcionar sustentabilidade econômica para famílias da tekoa [roteiro disponível em http://tembiapo.com.br/turismo-comunidades-indigenas/aldeia-rio-dareia-2/].
O Centro tem espaço para exposições, reuniões, apresentações, refeições e muito mais. Um pouco dessas opções foram aproveitadas na inauguração com: Apresentação do Coral, Exposição organizada pela Saúde e pela Escola, Exposição Nhandereko Mbyá: Tradição, Vida e Resistência, organizada pela Outro Olhar e pela Rede Solidária Popyguá.
Aos executores, parceiros nosso muito obrigado!
Para a comunidade nosso Parabéns! E a certeza que é começo de um novo caminho, desejamos motivação e sucesso!







quinta-feira, 3 de maio de 2018

Nhandereko Mbyá: Tradição, Vida e Resistência

No mês de abril, mês da Cultura Indígena, lançamos as mostras anuais que fazem parte do programa de Interação Cultural que a instituição vem mantendo nos últimos anos. [http://aoutroolhar.blogspot.com.br/p/interacao-cultural.html]
Este ano estamos na 5ª Edição da Mostra de Cultura e Arte Guarani e o material elaborado com as aldeias e a partir da vivências no trabalho social, faz uma reflexão sobre os mais de 500 anos de história de convívio, no mesmo território, entre indígenas e imigrantes, hoje todos brasileiros. E sobre nós, não indígenas, que conhecemos tão pouco dessas culturas ameríndias.
No intuito de construir pontes entre as culturas foi produzida a mostra que chamamos de Nhandereko Mbyá: Tradição, Vida e Resistência que trás uma pequena amostra da vida na comunidade que tem sua lógica única e transparece a resistência de um povo frente ao mundo moderno.
Convidamos vocês para abrirem os corações e as mentes e conhecerem algo mais sobre a cultura indígena Guarani que se mantém viva até os dias atuais. Para isso organizamos as mostras intinerantes, que podem ser organizadas no espaço de interesse e a mostra permanente no Centro de Convivência Itakora (sob agendamento), local que além da mostra oferece para visitação uma pequena trilha ecológica, agrofloresta, artesanato, etc.
Peju Porã! Bem Vindos!

A V Mostra de Cultura e Arte Guarani teve sua primeira exposição no Museu Municipal Visconde de Guarapuava, de 16 a 30 de abril de 2018.

Agende sua visita ou uma exposição no seu espaço!


quinta-feira, 15 de março de 2018

Um bom Encontro

No mês que se dedica às mulheres, um convite para o Encontro de Donatários da IAF - Fundação Interamericana - em Montes Claros Minas Gerais. Para representar todos os beneficiários do projeto Ambiente Inteiro: Terra Indígena da Cabeça aos Pés a artesã e produtora de plantas medicinais e aromáticas da Tekoa Palmeirinha do Iguaçu Floriana Jaxuka Rete Poty Martines. Primeiro toda animada com a viagem, depois apreensiva com o voo. Era a primeira vez em um avião! Correu tudo bem! Tão bem que no retorno 'ah que pena que esta terminando, agora que gostei queria voar mais'.
O encontro reuniu 23 instituições que recebem o apoio da IAF nas diferentes regiões do país. Foram dias de muita troca. Muita gente boa por metro quadrado!
Sendo o tema central 'gênero' proporcionou conhecer histórias e pessoas incríveis, fez refletir sobre o papel de cada um nessa nossa sociedade; além de um olhar para a atual conjuntura. Solidariedade para seguir com esperança nesse período confuso.
Parafraseando Floriana, foi muito bom participar, vi e aprendi tanta coisa, tanta gente e coisas diferentes, pra ver que a gente não está sozinho. Eu gostei muito. Me sinto mais forte.
Obrigada a todos e todas!





quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Agrofloresta Guarani: Criando Identidade

A produção em agrofloresta já faz algum tempo vem ganhando espaço e respeito como método produtivo eficiente e em harmonia com solo, água, natureza e pessoas.
Há alguns anos, mais precisamente cinco, o sr. João de Quadros e a sra. Inácia Takua Peralta, da Tekoa de Palmeirinha do Iguaçu escutaram o 'pessoal da Outro Olhar' falar sobre essa tal agrofloresta. Mais tarde soubemos que, no entendimento do casal, 'era fazer como se fazia antes, só com alguma coisinha diferente'.
Enquanto aconteciam as conversas, dias de campo, reuniões com o grupo da tekoa, silenciosamente, bem ao estilo Guarani, o casal foi formando sua própria agrofloresta ao lado de sua casa. Não foi qualquer agrofloresta, foi com estilo próprio, a escolha das plantas, o espaçamento...
Julgar se o adensamento foi demais, se é preciso manejar dessa ou daquela forma; entendemos que não nos compete. Aprendemos que é uma relação pessoal com o ambiente, existem algumas dicas de como pode-se conduzir para melhorar este ou aquele resultado; mas a escolha final é de quem está lá, que criou laços com suas plantas.
O que nos compete é dizer: Parabéns sr. João e sra. Inácia pela linda agrofloresta que formaram!



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Curso de Gestão do Empreendimento e Comercialização do Tembiapo

O curso de Gestão do Empreendimento e Comercialização realizou o módulo xiv entre os dias 07 e 09 de fevereiro de 2018 no Centro de Convivência Itakora.
Entre os muitos temas abordados até o momento, segue a construção do planejamento estratégico, neste módulo relembrados os objetivos e definidas as estratégias.

O trabalho foi árduo, e o resultado surgiu:
Objetivo
Estratégia
Aumentar a produtividade de 4 espécies em 5% no período de 3 anos
- Fazer o manejo diário das plantas (produtores)
- Aumentar a área de cultivo (produtores + planejamento Tembiapo) Ex: capim limão, pimenta rosa, pitanga, carqueja, capoteira
- Envolvimento do Tembiapo nos dias de Campo (capacitações e motivação)
Introduzir 5 novas espécies de plantas no período de 3 anos
* Plantas: Espinheira Santa (yvyra rapojú), Cedro Rosa e Vermelho (yary), Guiné (pipi), Jabuticaba (guaporaity), Capoteira (nhandu hapyxa =ouvido de aranha), Ipê Roxo (...)
   - Conversar com xamoi e xary'i para saber os usos e mais informações das plantas;
    - Uma ou duas pessoas do grupo das medicinais/agrofloresta/Tembiapo vão conversar com os xamoi e xary'i para depois passar a informação para o Tembiapo;
  - Sistematizar as informações somando com as literaturas existentes para elaborar o guia de uso;
- Fazer os testes de extração (período de colheita, parte colhida, rendimento);
- Processamento em OE puros e derivados
Aumentar em 30% o número de artesãos e/ou produtores
- Organizar oficinas reuniões para incentivar as pessoas mostrando os produtos, conversando;
- Fazer oficinas de artesanato com jovens das comunidades, ensinando a fazer, explicando, etc.
- Melhorar a produção, a qualidade, a quantidade, etc
Criar novas tendências de biojoias e óleos essenciais com lançamentos exclusivos
- Analisar as tendências da moda e depois fazer os trabalhos e transformar os materiais descartados pela natureza para fazer as biojoias com produtos sustentáveis.
- Oferecer o produto da natureza como uma joia que tenha durabilidade e qualidade. Para isso teremos que conversar e capacitar os artesãos.
- Criar novos produtos com outras formas, outras ideias. Exemplo: cocar de armação industrializada com as penas naturais.
- OE: fazer novos produtos, novos testes, com diversos produtos, novas espécies. Exemplo: criar um nome para a linha de sabonetes com produção que atenda aos pedidos dos consultores; investir.
Aumentar participação no mercado e faturamento da produção dos óleos essenciais
- Programa de Consultores e Consultoras:  Plano de crescimento/vendas
  Incentivos;  Treinamento / Produção suficiente para vendas
- Plano de Marketing: Envelopamento: fotos, vídeos, histórias [apresentação]; Embalagens; Valorização/sistematização da medicina e arte Guarani
Melhorar o manejo sustentável e recurso natural (manejo poda de aroeira, pimenteira, adubo orgânico e água)
- Podar correto e cuidar sempre para crescer sempre; Conservar limpo para dar um óleo de qualidade.
- Mais tipos de plantas; - Produzir mais; - Boa qualidade
- Aumentar 5% a produção de plantas para produzir um produto sustentável
Criar melhorar formas de manejo: Adubo orgânico bem preparado;  Controle de 'pragas', testar água de arruda.
Aumentar a rentabilidade em 3% a mais até 2018; e 5% a mais até 2020
- Aumentar o faturamento (baseado no plano de vendas)
- Aumentar o número de consultores/as
- Promover campanhas publicitárias do e-commerce


Além da parte de gestão, o curso também vem abordando as funcionalidades e os usos dos OE (óleos essenciais). Como forma de trazer os benefícios da natureza para os produtores e para a sociedade como um todo; contribuindo para uma vida melhor nesse planeta.
São várias as formas de uso dos óleos essenciais, normalmente cada planta tem sua dosagem e sua forma de uso, porém, de forma geral, os óleos essenciais vêm sendo usado nas formas a seguir:
     Aromatização de Ambiente: Gotas do óleo essencial são colocadas no difusor de ambiente (elétrico, fogo, etc), no geral de 05 a 10 gotas.
Banho de Imersão: Em banheiras ou ofurô. Comumente se dissolve 3 colheres de sopa de leite em pó em 1 copo de água e adiciona-se cerca de 20 gotas de óleo essencial. Não se recomenda usar os óleos essenciais diretamente na banheira ou ofurô sem diluição.
      Banho de Assento: Sugere-se diluir 10 gotas do óleo essencial em 5 colheres de sopa de óleo vegetal e adicionar na água do banho de assento.
    Colar Aromático: Sugere-se pingar 3 gotas do óleo essencial em um pedaço de algodão e acondicionar no orifício do colar aromático.
     Compressa Local: Recomenda-se pingar 10 gotas de óleos essenciais em compressas frias e quentes e aplicar no local afetado/desejado.
       Compressa Peitoral: Diluir 5 gotas de óleo essencial em uma colher de óleo vegetal e massagear a região peitoral. Após a massagem, aplicar uma compressa quente.
       Escalda Pés: Diluir 15 gotas de óleo essencial uma colher de óleo vegetal e colocar em um balde ou ofurô de pés.
Fricção Local: Recomenda-se pingar algumas gotas de óleo essencial (já preparado/diluído) na área afetada e friccionar.
      Fricção Plantar: Orienta-se pingar cerca de 3 gotas de óleo essencial o na planta de cada pé e friccionar.
     Fricção Vertebral: Orienta-se pingar 6 gotas de óleo essencial ao longo da coluna vertebral e friccionar.
     Gargarejo: Orienta-se adicionar 2 gotas de óleo essencial em um copo de água morna. Gargarejar sem engolir.
    Hidratação Corporal: Sugere-se adicionar algumas gotas de óleo essencial um óleo vegetal de hidratação corporal, massagem ou creme de drenagem linfática.
Inalação: Orienta-se pingar de 2 a 4 gotas de óleo essencial em um lenço e inalar. No inalador elétrico utilizar de 3 a 5 gotas. Para assepsia das mãos, pingar 3 gotas de óleo essencial na palma das mãos, fricciona-las e inalar. Para otimizar períodos de estudo, pingar 2 gotas de óleo essencial no pulso, friccionar com o pulso de sua outra mão e inalar. Repetir se necessário.
      Massagem: Sugere-se adicionar 80 gotas de óleo essencial em 120ml de óleo vegetal e usar para massagear o corpo.
Spray de Ambiente: Recomenda-se adicionar 40 gotas de óleo essencial em uma solução de 60ml de álcool de cereais e 40ml de água deionizada.
Uso Tópico: Orienta-se diluir 5 gotas de óleo essencial em uma colher de óleo vegetal e aplicar sobre a pele ou pingar 1 gota de óleo essencial diretamente sobre a picada do inseto (em crianças não se recomenda esse procedimento).
       Uso Tópico Capilar: Sugere-se pingar de 5 a 10 gotas de óleo essencial no frasco de shampoo ou 04 gotas em 50ml de água morna e passar no couro cabeludo, massageando-o. Ou hidrolatos preparados aplicar sobre os cabelos, massagear (sem enxaguar).
     Travesseiros e Lençóis: Sugere-se pingar 2 gotas de óleo essencial no travesseiro e 4 gotas nos lençóis. Há também a possibilidade de borrifar as águas florais, ou hidrolatos prontos sobre os travesseiros e lençóis de 20 a 10 minutos antes de deitar.
    Vaporização: Orienta-se pingar 10 gotas de óleo essencial em um recipiente com água quente, cobrir a cabeça com uma toalha e inalar o vapor por 15 minutos.
É só escolher o OE de sua preferência e desfrutar dos inúmeros benefícios!


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Yy Kara'i

Yy Kara'i, Batismo das Águas... No início da noite as pessoas começam a chegar lentamente: homens, mulheres, jovens, crianças, visitantes...
Foto de Mauricio Pilati
Lá dentro da Opy’i (casa de reza) o Xamoĩ e a Xary’i (líderes espirituais) já tinham tudo preparado: a água no tronco do cedro rosa [árvore sagrada]; as velas de cera de abelha [feitas para os visitantes e sua família. As pessoas da comunidade, cada família confecciona suas próprias velas, uma para cada membro].
Iniciam com apresentação dos visitantes, cantos tradicionais, palavras do Xamoĩ; mais cantos, falas e reflexões...
Enquanto isso o chimarrão passa de mão em mão entre os participantes, como parte da celebração da coletividade e fonte de energia.
Após a meia noite o Xamoĩ inicia o ‘Yy Kara’i’ Batismo das Águas em um ritual singelo, profundo e por vezes, descontraído. Aos poucos os homens se aproximam e com o auxilio do Xamoĩ vão fixando as velas no círculo de cipó do altar; em seguida é a vez das mulheres. Enquanto as velas queimam sob o olhar atento do Xamoĩ que atende de cada uma [pois cada vela é uma alma e o fogo revela o que aquele alma-ser precisa no momento]; os cantos tradicionais enchem a Opy’i misturados com a fumaça dos cachimbos.
Após cada uma das velas ter cumprido sua função é hora da bênção com a água, um a um, em fila circular em torno do altar recebem a bênção; a renovação das forças.
Outra vez a fumaça dos cachimbos enche o ambiente e os cantos ecoam fortes. Ao sinal do Xamoĩ, cessam. Faz-se um silêncio profundo.
Para a concentração e conexão máxima do Xamoĩ com as divindades, esse silêncio só é quebrado com um lindo canto de lamento e inspiração entoado pelo líder espiritual. Lentamente, as revelações iniciam; as divindades vão revelando ao Xamoĩ o espírito que habita em cada corpo, então revela-se o nome de cada pessoa.
A cerimônia se estende até a madrugada quando aos poucos as pessoas retornam às suas casas...
Sou grata por receber a permissão de vivenciar esses momentos com a comunidade de Pinhal, TI Rio das Cobras.
Ara Ju (Sandra König)
Foto de Mauricio Pilati

Foto de Mauricio Pilati

Foto de Mauricio Pilati